Monday, May 31, 2010

Reprodução diferencial

Esse aspecto crucial da teoria darwiniana muitas vezes é mal compreendido. Mais importante que a capacidade de um organismo sobreviver, sob o prisma da evolução, é a sua capacidade de reproduzir-se; de nada adianta um macho ser feroz e cobrir todas as fêmeas se ele for estéril - na próxima geração estarão representados unicamente os genes daqueles poucos competidores que conseguirem burlar a vigilância exercida pela força sobre o harém. Reprodução diferencial, mais que sobrevivência (embora seja óbvio que é preciso estar vivo para reproduzir-se), é o mecanismo da seleção natural; e a proporção relativa de genes associados com características que se revelarem adaptativas, nas gerações seguintes, é que definirá o rumo evolutivo da espécie em questão.

Esta, segundo Ernst Mayr, é uma das maiores inovações introduzidas pelo método darwiniano de interpretar e investigar a natureza: o modo populacional de pensar, em substituição ao pensamento tipológico, de fundo platônico, que só atenta para os tipos ideais, as essências. "Para o tipologista, o tipo (eidos) é real e a variação, uma ilusão, enquanto para o populacionista o tipo (média) é uma abstração e só a variação é real. Não há duas maneiras de encarar a natureza que possam ser mais diferentes".

Marcelo Leite - de Origem à síntese moderna / A Vida Depois do H.M.S. Beagle / Folha Explica Darwin
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