Monday, June 07, 2010


Menos cor no arco-íris

Em ano eleitoral, Parada Gay evitou colorido para defender projeto que torna homofobia crime; nenhum pré-candidato à Presidência apareceu

Neste ano, a Parada Gay de São Paulo foi menos colorida que o habitual.

Encontrar as tradicionais bandeiras do arco-íris não foi tarefa fácil. As espalhafatosas drag queens estavam lá, porém em número escasso.

Pessoas fantasiadas - cueca de couro, peruca Tina Turner ou roupa apertada de oncinha - também eram vistas apenas aqui e acolá.

Não que a 14ª edição da Parada Gay tenha sido esvaziada ou desanimada.

Pelos cálculos dos organizadores, 3,5 milhões de pessoas encheram a avenida Paulista e a rua da Consolação dançando atrás de trios elétricos - 400 mil a mais que no ano passado. A Polícia Militar não fez contagem.


Neste ano, a organização decidiu que os trios seriam monocromáticos. E pediu a gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, simpatizantes e curiosos que comparecessem sem cor.

Observada do alto, a marcha do orgulho gay poderia ser confundida com micareta ou festa de Ano Novo.

"Não deveríamos esconder a bandeira. É a nossa marca", reclamava a drag queen Samara Rios, 28, luxuosamente vestida como a Rainha Vermelha de Alice no País das Maravilhas.

A razão da falta de cor foi política. A parada quer que os pré-candidatos à Presidência da República se comprometam com um projeto de lei, em tramitação no Congresso, que transforma a homofobia em crime, da mesma maneira que o racismo.


"Gente, vamos votar num candidato que apoie nossa luta", discursou um militante num dos trios elétricos.

Nenhum dos principais pré-candidatos apareceu.

Quem foi à festa creditou a falta de plumas e paetês ao excesso de "simpatizantes".

"Cheguei na menina, e ela disse que gosta de homem", queixava-se a atendente de bar Marisol Dionísio, 22.
-

No comments: