Thursday, December 28, 2023

28 de dezembro de 2019

Luiz Kignel, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, disse ao Estadão: "Agora um presidente olha por nós". Juntam-se a ele o Jorge Paulo Lemann ("O rumo do Paulo Guedes está correto. Poderia ter menos agito na parte política") e o Cândido Bracher ("É uma situação macroeconômica tão boa que eu nunca vi em minha carreira). Pronto. Taí o que a gente precisa pra saber como o Bolsonaro foi 'eleito', como ele ainda não 'caiu' e quanto tempo ele 'permanece'. Ah, claro, quanto tempo ele permanece não dá pra dizer exatamente, mas nada justifica qualquer otimismo. Só pra completar: esses 3 não estão sozinhos.

28 de dezembro de 2019



Por trás da eterna discussão sobre os 'significados' de 2013 está um pressuposto: o Golpe poderia ter sido evitado.

Mas, na América do Sul, um presidente cai a cada 10 meses, em média, há mais de 100 anos!

O Lula, que, no lugar da Dilma, teria, por supuesto, resolvido a situação, amargou quase dois anos de cadeia. Derrubaram mês passado o Evo Morales... enquanto no Chile e no Equador os presidentes insistem em permanecer. Sintomático, não?

O 'grande acordo' com Supremo com tudo, parece, é mais que continental. É sistêmico.

Talvez quem não viveu os anos de chumbo no Brasil não conheça o ar sufocante que fica quando as oligarquias estão no Governo. É um peso. Da porra. Achar que é possível encarar o bafo desse Leviatã é, no mínimo, dificuldade com cálculo.


Wednesday, December 27, 2023

27 de dezembro de 2023


E ASSIM SE PASSARAM 10 ANOS

Final do ano, em 2013, as coisas tinham acalmado.

Final do ano, em 2014, o campo democrático venceu a eleição por um trisco.

Em 2015, final do ano, a coisa tava tensa.

Em 2016, foi Golpe!

No final de 2017 nossas esperanças estavam concentradas no Lula.

No início de 2018, PRENDERAM o Lula!

No final de 2018, o impensável aconteceu e um boçal de extrema direita ganhou com a missão de botar o país pra baixo de cu de cobra. Botou.

A partir daí, são aquelas lembranças de quem capota com o carro. Tudo meio borrado. Meio embaralhado.

Tava foda.

Mas veio 2020. E, véio, pandemia é um horror, mas pandemia + Bolsonaro, eu não desejo nem pro meu pior inimigo. Ou melhor: desejo sim!

Foi aí que o Lula, no melhor estilo Star Wars, ressurgiu das cinzas e salvou nóis tudo!

Tem uns bocó que até hoje ganha a vida arranjando defeito no Lula. Como se a premissa pra salvar nóis tudo fosse não ter defeito.

Essa é, no entanto, talvez, a principal qualidade do Lula. Saber que a perfeição é uma meta perseguida pelo goleiro que joga na Seleção, etc. etc. etc.

O alívio de terminar 2023 como estamos terminando não cabe num textão dessa rede social em franca decadência. Voltar aos velhos posts de gatinhos, selfies do Natal em família, imagens sorridentes de viagens de férias, pratos de comida e pouquíssimas notícias (como acontecia até 2012) é o grande indicador de que já não estamos entregues à sanha destruidora dos nazifascistas versão brasileira.

Que voltamos a respirar.

Não é pouco. E é uma delícia. Mas, cares amigues, eu, de minha parte, não relaxaria os esfíncteres. Os últimos 10 anos foram terrivelmente parecidos com aqueles outros 500, a contar de quando Cabral aportou por aqui.

O Brasil continua tendo um grande passado pela frente.

27 de dezembro de 2016

 


27 de dezembro de 2016


A Princesa Leia morreu. Eu sei que a modinha da semana é falar que '2016' não é culpado de nada, afinal o que denominamos ano é apenas uma convenção humana para organizar o tempo, blá, blá, blá.

Mas, ó, xô falar: tá difícil!!! 2016, seu filho de uma égua!!!

Vou adotar, para efeito de conciliação entre as tribos, hipótese mais tangível: o lado obscuro da Força tá botando pá fudê ultimamente. Melhorou?

Na imagem, Carrie Fisher em ensaio para a revista Rolling Stone.


27 de dezembro de 2016

É bem curioso o modo de pensar da esquerda no Brasil. Lula levou 20 anos até virar presidente e, no processo, além do vento da redemocratização soprando a favor, assinou uma Carta aos Brasileiros, adotou o slogan "Lulinha Paz e Amor", conciliou com deus-e-todo-mundo, concedeu, aceitou, fez coalizão, acordo, desvio de rota para, antes de chegar à metade do mandato, ainda tomar um Mensalão nos cornos. Daí pra frente, refém do PMDB, foi encontrando meios de transformar tudo o que estava dentro do horizonte do possível, até a vitória final do golpismo, quando nada do que foi construído escapa à sanha devoradora da regressão. Acreditar que Lula tira o Brasil do atoleiro nas condições francamente adversas em que o campo democrático se encontra é a versão classe média letrada do messianismo típico das massas sem dinheiro dessa nossa eterna colônia. Lula 2018 é a esquerda brasileira dando bandeira de que também acredita em herói. Pois lhes digo, caros amigos, o herói é aquele que retorna ao final da saga. O herói que morre no percurso, deixa de ser herói e passa a ser mártir. Lula Mártir 2018, sou contra.

27 de dezembro de 2014


A rede social é um ponto cego cercado de pontos cegos por todos os lados.

Ou, a rede social é um lugar de onde é preciso ser resgatado! Um cipoal de palpites, informações, furos de reportagem, chutes, mentiras...

Daí a naturalidade com que cada um grita seu palpite, informação, furo de reportagem, chute, mentira... como quem pede socorro.

Ou, ainda...

A rede social é um labirinto em que toda parede torta abre outra entrada estreita, sem um fio que conduza de volta à saída.

É nisso que reside a mágica da coisa. Pra cada grande verdade, sempre haverá um desmentido. Pra toda narrativa, um desenredo. Pra qualquer zona cinzenta um facho de luz. E vice-versa.

Não há exatamente bússolas, ou sistemas de navegação, só esse eterno e tateante tête-à-tête que o meu catálogo de metáforas de gosto duvidoso... como queríamos demonstrar.

Sunday, December 24, 2023

24 de dezembro de 2016


VEJA, no maior descaramento, faz uso de um símbolo da luta democrática universal para ilustrar sua retrospectiva do annus horribilis de 2016. O capital tem poder de cooptar cartunistas geniais como esse Eco Moliterno. Se pensa que com isso coopta de cambulhada o sentido do original da paródia, pensa errado.

Senão vejamos.

Contam que em 1940, Paris ocupada pelos nazistas, dois oficiais alemães, diante do gigantesco painel recém concluído, perguntaram a Picasso: "Foi o senhor quem fez isto?". Ao que o espanhol respondeu prontamente: "Não, foram os senhores".

Se um dia alguém perguntar de quem é a responsabilidade por estarmos, 52 anos depois, em situação institucional tão precária e semelhante ao golpe de 1964 que justifique a analogia com o despedaçamento da Guernica, eu, de pronto, diria: não só, mas MUITO, da revista dos Civita.

Engulam, pedaço por pedaço, as quatro capas, usurpadores.

Nem vem de garfo, que hoje é dia de sopa. Pá riba de muá?

¡No pasarán!


24 de dezembro de 2022

Assim como nós havíamos sido derrotados em nossos "não passarão", "fora Temer", "ele não" e tantos outros, os bolsominions estão voltando pra casa de mãos abanando.

Assim como nós, eles cultivaram esperanças plantadas em solo ressecado. O Golpe era impossível de evitar. O grande acordo nacional com Supremo com tudo, depois que 'decidiram' por ele, provou-se 'imparável'.

A derrocada do bolsonarismo, algo que sequer sabemos se existe, ou é ficção a serviço do próprio Golpe, é igualmente inevitável.

Bolsominions (como nós fomos) são figuração. O poder decisório passa longe das micaretas verde amarelas e mais ainda dos acampamentos de porta de quartel.

Está mais do que na hora de deixar de dar atenção para essa pequena massa de ignorantes. Gente sem repertório político, estético, ético.

Para isso acontecer, a gente antes porém, tem que reconhecer nossa 'miniondependência'. Nossa adicção, o prazer repetitivo de chutar cachorro morto.

Eles só dançam quando alguém bate palmas.

Friday, December 22, 2023

22 de dezembro de 2021


Lembra o Édipo, aquele q matou o pai e casou com a mãe? Então, ele fura os olhos no fim por decisão própria. O castigo na Grécia antiga, a penalidade foda, mesmo, eram o banimento e o ostracismo.

Condenava-se o cidadão ao desterro: um apátrida, um pária.

Pois bem, a Globo não incluiu a Regina Duarte no Especial 70 Anos das novelas no Brasil.

Achei trágico. 😄

22 de dezembro de 2019


PROFESSOR MISÉRIO

Esse senhor que, de tão branco, tem o nariz vermelho, escreve sobre questões da negritude no Brasil há décadas. Sociólogo. Baiano. Antonio Risério.

Hoje ele publicou na Folha um artigo com o título Lugar de Fala é Instrumento para Fascismo Identitário.

Ele tem se sentido cerceado no debate nacional.

Acho possível discutir os termos propostos no texto. Apesar do polemismo lacrador exercido com o profissionalismo de quem já trabalhou ao lado do marqueteiro João Santana, não é puro absurdo o que Risério afirma.

Mas tem um problemão, em dois momentos (tem mais, mas vou me ater a esses dois, gravíssimos).

A frase que inicia o artigo: "Minha intenção, aqui, é colocar o tal do lugar de fala no seu devido lugar". 😲

E, mais pra frente, quando diz perceber "uma onda de violência se encorpando assustadoramente em todo o país".

Para Risério a onda parte "tanto do segmento atualmente mais barulhento da esquerda, cristalizado nos movimentos identitários e suas milícias (eufemisticamente tratadas como 'coletivos'), quanto da extrema direita, com sua ponta de lança na boçalidade bolsonarista".

O enrosco, segundo ele, é que "a crítica esquerdista a uma ascensão do fascismo entre nós tem sido feita de maneira estranha e sintomaticamente seletiva".

E completa: "O que vemos são ataques ao fascismo de direita - e silêncio sobre o fascismo de esquerda. Como no dito popular, os macacos se negam a olhar o próprio rabo". 😱

Aí fudeu, né? Vai colocar 'os macacos' no seu 'devido lugar'?

Num texto sobre racismo?!?

Só pra fechar, é ainda sintomático o exemplo que Risério escolheu para comprovar a 'onda de violência' vinda do lado das 'milícias' dos movimentos identitários: "em 2013, numa feira literária em Cachoeira do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano, [...] extremistas identitários impediram o geógrafo Demétrio Magnoli de falar e praticamente o expulsaram da cidade".

Sem dúvida mais um exemplo infeliz de quem quer comparar tiros no ônibus do Lula, execução da Marielle, ou fogos de artifício no barco do Glenn Greenwald com o esculacho de uma figura pública altamente agressiva.

Evidente que um cara com a experiência de escritor que esse homem tem escolheu conscientemente as palavras que usou. Os motivos... vai saber! O resultado é que o texto inteiro fica contaminado.

Vai aqui o link da matéria, aberto para assinantes da Folha:

22 de dezembro de 2016


TUDO É DIVINO E, AQUILO, MARAVILHOSO

O hype de ontem foi o filminho com os balangandãs da Clarice. O de hoje, é provável, será a pesquisa do Ibope que indica que o conservadorismo no Brasil está em ascensão.

Claro que vai ter gente ligando uma coisa com a outra. E... dá-lhe polêmica. Bingo!

Minha contribuição para o debate: sobre o conservadorismo brasileiro é indispensável ler Cultura e Política, 1964 - 1969 do Roberto Schwarz. Nesse artigo está escrito, em itálico, "Apesar da ditadura da direita há relativa hegemonia cultural da esquerda no país". Foi publicado em 1970. Sem ele não dá pra começar a discutir a onda conservadora (e a consequente mudança de eixo hegemônico), tema que a intelectualidade democrática havia pautado fortemente já durante as eleições de 2012.

Sobre a Clarice, acredito que o foco nem de longe está naquela sequência ao mesmo tempo ansiosa e interminável de corpos-só-pélvis. A pauta é indústria cultural. O texto que não pode ficar de fora se chama A Crise na Cultura: Sua Importância Social e Política e foi publicado pela Hannah Arendt, salvo engano, em 1958. É nesse ensaio que a Arendt briga com o Adorno e chega a debochar da tal "regressão da escuta". Tudo muito sutil, claro. A autora de On Revolution despreza a tese mais famosa do frankfurtiano e prefere tratar do fenômeno do "filisteísmo".

São dois textos e dois temários tão fundamentais quanto antigos. O fato de permanecerem pouco usados para refletir sobre o Brasil contemporâneo "é por demais forte simbolicamente" para a gente não se abalar.

O Oswald de Andrade dizia: "Só a Antropofagia nos une".

Mas isso nunca foi verdade. O que nos une é o atraso.

Precisamos tirar o atraso. Como diria a Sara Sheeva. Não... péra...

22 de dezembro de 2013


Papai Noel, não sou mais criança. Por isso não acredito no senhor. Pero que las hay, las hay.

Sendo assim, queria agradecer, antecipadamente, a energia elétrica que vai manter meu chuveiro funcionando no dia 25 de dezembro e a tubulação que vai levar todas as sobras da ceia que estou combinando com a turma. Véspera de Natal a gente exagera, né?

Agradeço também, desde já, os bueiros bem conservados do meu bairro, já que na época das festas é comum chover forte e aqui, sem entupimentos, fica quase impossível haver qualquer inundação.

Queria agradecer as ruas bem pavimentadas do meu bairro e ao longo de toda a extensão dos inúmeros trajetos que meus amigos percorrerão para chegar aqui.

A iluminação das ruas, para que eles, além de me acharem fácil, cheguem em segurança. Toda a sinalização de trânsito, as rotatórias, os semáforos, as faixas de pedestres, as lombadas, as placas, a numeração das casas.

Agradecer o caminhão de lixo que vai passar, infalível, levando o lixo comum, agradecer a coleta seletiva e os moços da varrição que passam antes e depois. Sem contar as lixeiras "de poste", essa limpeza contribui muito para o ar aprazível que meu bairro possui.

Pr'esses lados tem várias praças, grande parte das ruas é arborizada, se alguém exagerar na comida, vai dar pra dar uma voltinha, que ajuda na digestão.

O policiamento do meu bairro é constante. Os guardas são nossos conhecidos e tomam "café de cortesia" na padaria do Seu Cabral. A padaria fecha um pouquinho mais cedo na véspera de Natal e é nessas horas que a gente entende para que serve aquele adesivo da ROTA que o Seu Cabral cola no vidro da entrada. Os índices de criminalidade são baixíssimos por aqui (apesar da minha paranoia, admito, ser bem alta), e eu sei que, mesmo a festa sendo tarde, a gente vai poder se sentir seguro.

Se faltar qualquer coisa, sempre tem algum lugar 24 horas que dá pra acessar. São pelo menos seis as grandes avenidas que atravessam, desembocam ou se iniciam no meu bairro, isso agiliza. Gelo, por exemplo, é um negócio que sempre falta e precisa transportar rápido.

Quem quiser vir de metrô a estação está a 15 minutos de caminhada. Várias linhas de ônibus estão a até três quadras daqui. Até de bike dá pra chegar. A internet é de fibra ótica, não precisa 3G para ligar pro táxi do aplicativo, e eles vêm rápido, meu endereço está em todos os GPS, o prédio aparece, inclusive, no google street view (super legal!). Falando em conexão, a gente vai poder escolher o som que quiser no youtube. É bom, que não tem risco da seleção ser delícia pra uns e chata insuportável pra outros.

Se, Deus me livre, alguém passar mal sabe quantos hospitais, postos de saúde e farmácias abertas a noite toda tem por aqui?

Por isso, Papai Noel, e por outras muitas coisas, queria agradecer antecipadamente os benefícios públicos que vou poder oferecer aos meus amigos mais esse Natal. Agradeço antecipado pois sei que esses benefícios estarão disponíveis como sempre estiveram ao longo dos meus 51 anos e agradeço por recebê-los de presente, ano após ano, já que ter crescido sob essas condições é resultado exclusivo da mais pura sorte, não tem absolutamente nada a ver com mérito.

Queria pedir, Papai Noel, para que nenhum dos meus convidados, depois de beber, comece a fazer discurso contra as faixas exclusivas, a carga insuportável de impostos, a má qualidade dos serviços, a incompetência da Dilma ou se ponha a elogiar o Joaquim Barbosa e depois erga um brinde pelo Mandela. Mas, isso, Papai Noel, é fantasia infantil minha e eu, como havia dito no início, sei que o senhor não existe.

Atenciosamente,

Irajá

Friday, December 15, 2023

15 de dezembro de 2015


Isso que o Kim Kagatudo fez com o Ney se chama "trollar". O Ney caiu como um pato, depois de ter participado do show pelos Direitos Humanos no Ibirapuera.

Acontece que a maldade do Pokemon do MBL está baseada em duas entrevistas do Ney. Uma para a TV portuguesa e uma para o El Pais.

Nas duas o Ney faz o seu discurso coxinha, contra os "corruptos" e as "bolsas-esmolas".

Aí fica difícil escapar ileso.

Se alguém não viu:



15 de dezembro de 2016


NO LONGO PRAZO ESTAREMOS TODOS MORTOS

Na imagem, um telefone celular de última geração. Em 1996.

No link, artigo da economista Laura Carvalho, demonstrando como a PEC 55 não foi feita para durar 20 anos.

Percebe? A quase totalidade dos protagonistas do governo disenterino estará fora de combate em 2036. Com um pouco de sorte, eu e você, que "militamos" no Facebook, estaremos vivos. Repare, qualquer resultado da presente disputa só será obtido por novos players, num futuro de motivações que ainda sequer são possíveis de discernir.

No curtíssimo prazo, recomendo a síntese formulada por um amigo: "Estamos na lama. É fato. O que fazer com isso é a pauta".

Em minha humilde opinião, o campo democrático precisa reconhecer que está órfão de lideranças.

Ao contrário da direita-coxo-fascista-rentista-midiática-internacional. Ou, numa palavra: Moro.

No funeral de Fidel Castro compareceram CUT, MST, MTST, PT, Lula, Dilma e Fernando Morais. Uma figura de certo modo destoante, Breno Altman, parecia estar ali para representar o comandante José Dirceu. Faça o cálculo. São eles os nosso líderes consagrados em décadas de construção e lutas.

E todos aparentam estar num movimento tático de recuo.

Tudo isso desemboca numa grande indiscriminação. O voluntarismo ansioso que encontra campo fértil no brouhaha babélico das redes sociais, se vai pras ruas, torna-se presa fácil dos farsantes. De onde surgiu o verdadeiro arsenal de fogos de artifício usado no "ataque" ao prédio da FIESP? Onde estava o Choque, que ninguém viu? O "vandalismo" em Brasília foi creditado à infiltração de agentes da "inteligência". Na Paulista, ao contrário, era o "povo" se manifestando? E por que não? E por que sim?

Quem vai saber responder? Virou zona. Cinzenta.

No longo prazo estaremos todos mortos. E a direita, mais do que ninguém, é consciente dos dias contados a que tem direito. Leia, se ainda não viu, o artigo que Vinicius Torres Freire publicou sobre os planos de salvação que as "elites" estão pondo em prática. É a crônica dos desenganados. É a disputa pelas boias do Bateau Mouche. É um deus-nos-acuda. Um pega pra capar. O cinismo naturalizante do articulista enche de sentimento o texto. O bom cabrito não berra. Mas quando vai pra degola sabe que vai morrer.

Qualquer desfecho minimamente feliz passa por um trabalho de muitas décadas, num panorama em que os telefones celulares dão a medida da velocidade com que as coisas hoje caducam. Mais da metade daquilo que nossas crianças precisam aprender para viver bem no futuro ainda não foi inventado, disse o Jorge Larrosa. O que não pode, diante de um amanhã assim semovente, é a eterna lei do mais forte continuar a prevalecer.

Sem lideranças é o governo do acaso. Nós tivemos Getúlio. Juscelino. Lula. Dilma, cujo legado de liderança ainda está por ser interpretado. E todos os homens e mulheres de iniciativa espalhados pelos variados campos da luta política. Dom Paulo Evaristo Arns, por exemplo. Sabemos que falta faz o líder. A direita também. Por isso constrói os dela. E criminaliza os nossos.

Toda essa zorra começou avalizada por teorias que usam a metáfora do "rizoma" e fazem o elogio da "horizontalidade".

Até o instante em que escrevo, rizoma me lembra mais o dito popular "comer a grama pela raiz" e horizontalidade traz à memória os versos: "todo mundo é igual, quando o tombo termina, com terra por cima e na horizontal".

Pra onde a gente olha, a sensação é de morte.

Please, leve-me ao meu líder!

💧

LAURA CARVALHO:


VTF:

15 de dezembro de 2020


Em 1982, o professor Darcy Ribeiro disse: "Se nossos governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios".

Confirmando a profecia, a taxa de encarceramento a cada 100 mil habitantes passou de 61 pessoas em 1990 para 367,91 em 2019.

76,1% dos atuais 773.151 presos cumpre pena por delitos relacionados a drogas ou contra o patrimônio, atividades monopólio do crime organizado.

Apenas 11,3% do contingente responde por 'crimes contra a pessoa'. No entanto, em 2019 foram registrados 41.635 assassinatos (2.886 cometidos por policiais civis e militares em serviço e de folga).

Muita gente morre assassinada. Mas a cadeia tem poucos assassinos.

Esses números, à primeira vista, contraditórios, na verdade se explicam pela lógica da 'Guerra às Drogas'.

E como funciona a 'guerra'?

A polícia é responsável por cerca de 7% do total de mortes. Seu principal papel não é matar e sim gerenciar a 'guerra' - que não é guerra, mas um sistema.

A polícia decide quem vai preso e quem fica solto, mediante acordos financeiros: não há 'biqueira' sem 'arrego', nem 'arrego' sem 'biqueira'.

O encarceramento em massa, ao mesmo tempo em que 'abre novas vagas' nas ruas, coloca à disposição das facções milhares de 'soldados' que não sobrevivem nos presídios sem se filiar a algum grupo que exigirá fidelidade mesmo daqueles que voltam para casa.

O fluxo contínuo mantém acesa a disputa entre as gangues.

Esse é o principal motivo de haver pouca gente presa por assassinato. Quem mata, em breve também morre. E quem não morre não é investigado.

É de 'bandido pra bandido' que acontecem mais de 35.000 assassinatos computados ano a ano.

Os órgãos da lei deixam o caminho livre para que eles se matem uns aos outros.

Retornando ao início do círculo vicioso, a oferta de trabalho para os chamados 'postos baixos' do crime é ininterrupta, porque morre gente sem cessar.

Quem são os mortos e os matadores que alimentam essa contabilidade macabra?

Jovens entre 15 e 25 anos, homens, pobres, negros e periféricos em sua quase totalidade.

Aqueles alunos das escolas que não foram construídas, como previu Darcy.

O panorama está longe de ser estável, ou previsível. Por exemplo, enquanto as três maiores facções do narcotráfico estão em 15,4% do Rio de Janeiro, as milícias já controlam 57,5% do território do município. 'Modelo de sucesso' que tende a ser transplantado para todo o país.

O que mudou, além do assombroso crescimento de mortos, presidiários e organizações criminosas?

O debate.

A defesa da escola como a principal alternativa contra o genocídio da juventude negra caiu num quase esquecimento, a partir da virada do milênio.

A lógica da 'Guerra às Drogas' passou a se retroalimentar e as principais vítimas são agora consideradas quase unanimemente os culpados.

Mídia e igrejas fundamentalistas cumpriram papel determinante, ao jogar para o campo da moral um fenômeno que decorre de problemas estruturais, econômicos, de raça e de classe.

Nos anos 80 do século XX era comum reconhecer que o crime alicia os jovens em situação de vulnerabilidade. Que o adolescente de periferia é facilmente cooptado para aqueles chamados 'postos baixos' do tráfico e que tal situação, por levá-los em grande número à morte, é uma questão de Estado, desafio para a saúde pública, ou, como na síntese brilhante de Darcy Ribeiro, exige intervenção dos governos.

Para o pensamento conservador de recorte fascista, a equação está resolvida. Não existe genocídio da juventude negra e periférica, porque só ingressa no crime 'quem quer'. A polícia, por sua vez, tem, como o governador interino do Rio costuma dizer, uma 'missão'. As vidas ceifadas são 'efeitos colaterais', plenos de justificativas, ainda que 'a se lamentar'.

Edson, que tinha 20 anos e era aluno do ensino médio? Jordan, de 17 e que pensava em seguir carreira militar? Nas palavras do porta-voz da PM, foram mortos em "área perigosa" de Belfort Roxo "por conta de uma ação extremamente errada" que "infelizmente" colocará "em risco" as carreiras dos dois "jovens policiais" que os executaram.

Emilly Victoria e Rebecca Beatriz, de 4 e 7 anos, mortas em Duque de Caxias, cujas famílias receberam daquele mesmo governador interino "solidariedade e orações" por intermédio de um... tuíte?!?

São todos 'acidentes de percurso' numa 'guerra necessária'. Só resta às autoridades 'sentir muito', até que o último criminoso seja exterminado.

Paira um ensurdecedor silêncio sobre os túmulos dos meninos do crime. Suas famílias são impedidas de pranteá-los - é uma regra 'na quebrada'. A sociedade se ocupa cada vez menos deles. Mesmo as odes que cantavam suas sinas não chamam mais a atenção. O menino de 13 anos que "barbarizaram com mais de 100 tiros", da letra do Aldir. O 'guri' do Chico, que levava presentes roubados para a mãe. Ou o 'vapor barato, mero serviçal do narcotráfico' encontrado na 'ruína de uma escola em construção' da sugestiva Fora da Ordem, do Caetano. Velhas canções.

Vez por outra o bloqueio é furado. O garoto crivado de balas na cruz do desfile da Mangueira. A Pietá do Grito dos Excluídos em Brasília com seu Jesus morto a tiros. Várias perfurações indicando que os disparos encontraram o destino original, o 'bandido' merecedor da morte. Sem desperdício de munição. Sem balas 'perdidas'.

Enquanto o Brasil não recolocar o genocídio da juventude negra e periférica e sua solução mais efetiva - a escolarização - em pauta, sem pudores, falsos moralismos, ou temor da reação conservadora, veremos crianças inocentes, jovens trabalhadores, pais de família e tantos outros brasileiros sem qualquer ligação com o crime tombarem como tombam os 'vida loka'.

Um país que deixa morrer 30 mil jovens cidadãos a cada ano e que os trancafia aos milhares, como se não fosse isso um gigantesco problema coletivo, não tem condições de avançar em qualquer área.

Não nos pode causar surpresa o descaso com que morrem centenas de pessoas diariamente há meses na pandemia. O corpo morto no Brasil comove muito pouco.

'Não é problema meu'.

O corpo morto, no Brasil, é sempre o corpo 'do outro'.


15 de dezembro de 2020

Como havia sido previsto, profissionais da linha de frente da Saúde estão exaustos após 10 meses de trabalho pesado.

Por isso, quem ficar doente pode ficar sem assistência.

Relato de um médico carioca, no Twitter:

"Hoje ninguém veio trabalhar no meu setor, só eu. Somos quatro pessoas. Semana passada, outros quatro desistiram. Os pacientes não foram embora, continuaram chegando, tão graves como sempre".

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 964 novas mortes provocadas pela covid-19 nas últimas 24 horas.

O país está rumando para os festejos de fim de ano com estatísticas muito semelhantes aos números do auge da pandemia, em agosto.

Um desastre anunciado.

15 de dezembro de 2022

A PF cumpre ao menos 104 mandados de busca e apreensão contra envolvidos em manifestações antidemocráticas.

Os mandados foram determinados pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes;

A operação da PF ocorre no Distrito Federal e em oito estados: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia e Santa Catarina;

Conforme apuração do UOL, também há mandados de prisão. A PF informa que no Espírito Santo ocorreram quatro prisões preventivas.

Moraes também determinou a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de contas de dezenas de empresários. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

A força-tarefa da PF inclui como alvos pessoas que participaram ou financiaram os bloqueios em rodovias e manifestações em quartéis, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Ainda falta muita gente pra prender", afirmou ontem o ministro Moraes, sem entrar em detalhes.



15 de dezembro

Um dia os livros de História registrarão que, na distante década de 20 do vigésimo primeiro século da era cristã, foi preciso julgar no STF a escandalosamente óbvia inconstitucionalidade de uma excrescência chamada 'Orçamento Secreto'. Muita gente vai achar inverossímil.

15 de dezembro de 2022

Deus me livre de querer adivinhar o futuro, mas os relatórios produzidos pelos grupos temáticos (GTs) da equipe de transição do governo Lula são a estopa embebida em gasolina que vai tocar fogo no parquinho da máfia bolsonarista dedicada ao desmanche da máquina pública brasileira ao longo de quatro anos.

Com as conclusões de cada GT em mãos, Geraldo Alckmin e sua equipe devem compor um relatório final, previsto para ficar pronto entre os dias 19 e 20 de dezembro.

"Desde que entrei na vida pública, nunca vi nada parecido", teria afirmado o vice-presidente eleito, em off, mas repetindo o que vem sendo dito abertamente nas coletivas à imprensa desde o início dos trabalhos da transição.

O assombro é geral e, para minha surpresa, não se ouve qualquer voz em defesa de qualquer elemento do desgoverno sainte. Vai daí a suspeita de que uma penca de gente será imolada em praça pública.

O fato é que Bolsonaro não se deu ao trabalho de construir uma rede de sustentação para quando fosse abandonado.

No pacto pós-golpe ele, ao que parece, ficou sem lugar.

Um judas de sábado de aleluia.

Thursday, December 14, 2023

14 de dezembro de 2022


RASGA A TANGA 🎶

José Acácio Serere ra dehe de hebe tude hebere seibiunouba mahabi an de bugui an de buididipi, cacique do povo Xaveco, fez curso pra pastor durante o tempo em que cumpria pena por tráfico de drogas.

Flagrado anteontem entoando o grito de guerra "índio qué apito, si num dé, pau vai cumê" na Esplanada dos Ministérios, Zé agora tá na temporária que o Alexandre de Maiorais, chefe da Porra Toda, ordenou.

Selva!

14 de dezembro de 2019

Parece fácil de resolver: todos os insatisfeitos com o PT poderiam votar em candidatos de outras legendas. Com isso, acabava esse hábito diário de criticar o partido por não ser o partido que o partido decidiu ser. Imagino que o pessoal não faça isso porque intui que é muito difícil ganhar qualquer eleição sem votar no PT. Tipo um pragmatismo que só pode funcionar no nível subconsciente. Ou, sendo mais claro, uns neuróticos! Não falo aqui da parcela que se diz 100% descrente da chamada democracia burguesa e, que, portanto, vê no voto apenas e tão somente uma maneira perversa de manutenção do status quo. O diagnóstico aí seria, é provável, mais severo. O PT vai completar 40 anos. Em nenhum lugar do mundo estaria sendo cobrado por não se manter como nos tempos da Guerra Fria. Mas, não há dúvida, onde quer que haja partidos políticos, desperta admiração (e, por supuesto, também inveja) pelo tamanho, pela força, pela longevidade e pelas realizações. No Brasil às vezes até parece que não há outro. Mas, na verdade, temos 33 agremiações em funcionamento e ainda mais de 70 em processo de aprovação. A política era pra ser, como aquele adversário disse certa vez, uma delícia, se fosse uma questão de 'escolha'. Os partidos, porém, assim como tudo e todos nós, são sempre o resultado das pessoas e suas circunstâncias. Fora isso, manifesta-se o pensamento mágico e a Melanie Klein explica.

14 de dezembro de 2015

PÁRA QUE TÁ FEIO

Cara de pau é pra quem tem.

Alguém pergunta (quem?) pra um dos organizadores (qual?) quantos manifestantes havia na Paulista.

De 50 mil a 500 mil, ele responde.

Como?!? A variação vai de 50 até... 500 mil?

O cara não tem certeza se foram 50 mil ou QUINHENTAS MIL pessoas?!?

COMO ASSIM?!?!?

Eu não vi isso ao vivo, lá na rua. Nem numa entrevista de TV daquelas em que o repórter é pego de surpresa.

Esses "números" estavam na homepage do G1.

A PM tem outra contagem, o Datafolha, uma terceira.

E as imagens mostram a Paulista esvaziada: aquilo era meia dúzia de gatos pingados, igual a BH, Copacabana, Fortaleza, Pelotas, Niterói, ou qualquer outro lugar.

Mas a "informação jornalística" que temos é essa: entre 50 e 500 mil pessoas. A legenda da foto que o jornal publicou... é essa.

Tenho comentado com amigos do Facebook que a imprensa vem agindo de maneira tão escancaradamente kamikaze que isso só pode significar um desespero de causa, aquilo que tenho chamado de "liquidação para entrega do ponto".

A percepção de "fim dos tempos" para a grande imprensa estaria tão aguda que os jornalões adotaram o "when you ain't got nothing, you got nothing to lose" do Dylan como refrão.

No médio prazo, parece, avaliam que estarão todos mortos.

O que, nem de longe, resolve nosso problema, nem sequer refresca. Zumbis existem e tendem a ser ainda mais violentos.

Na política, José Serra e Fernando Henrique Cardoso são a prova (morta) viva do que acabo de dizer.



14 de dezembro de 2013

O Danilo Gentili deve ser a única pessoa que ainda debocha do Lula por ele ser "analfabeto". O que o suposto humorista não percebe é que, antes da virada eleitoral que resultou dos programas de distribuição de renda do Governo Federal, gente como ele não precisava se dar ao trabalho de "massacrar" a esquerda. Com os miseráveis do Brasil votando à direita, antes, tava "tudo dominado" pela turma dos Gentili Uomini. Isso mudou. O busão do PT tá rodando livre na faixa exclusiva, enquanto a oposição permanece engarrafada no trânsito caótico que criou para si própria. Ou seja, é por causa do Lula que o Gentili tem que suar a tanga noite após noite mas ele está convencido de que o Lula que é o burro.

14 de dezembro de 2013

AGARRANDO O PROBLEMA PELAS ORELHAS

Desde a década de 1920, a pobreza na América Latina é mote para vários ensaios e estudos acadêmicos. Diferentes linhas de investigação procuraram dar conta da enormidade dessa chaga social, que perpassa o continente e povoa seus rincões mais profundos. Nesse contexto, na última década, os analistas tiveram sua atenção voltada para uma iniciativa singular e agressiva: o programa Bolsa Família, elaborado pelas últimas gestões do governo brasileiro no combate à pobreza e a seus efeitos imediatos.

O título desta obra, Vozes do Bolsa Família, expõe seu foco e seu maior diferencial: o programa governamental suscita um número crescente de estudos, mas, em praticamente todos eles, não se dá voz aos que recebem o benefício. Sabe-se que o Bolsa Família não pretende ser uma solução para a pobreza ou a fome, e que atua como medida paliativa e emergencial. Mas quais são seus resultados efetivos? Que dizem sobre ele os beneficiários? A partir dessa intervenção imediata no seio do problema, acena-se para novos rumos, insinua-se alguma esperança duradoura?

"Quando lhe perguntamos o que faziam os meninos quando não encontravam nenhum trabalho, respondeu: Ficam aí futurando!". Encontram-se no livro uma infinidade de depoimentos como esse. Análises do presente, projeções para o futuro. Durante anos de viagens e entrevistas, Walquiria Leão Rego e Alessandro Pinzani procuraram chegar aos diferentes beneficiários do programa Bolsa Família e ouvi-los. Nesses depoimentos e análises, o leitor poderá observar processos surpreendentes que vêm acontecendo de forma quase silenciosa no país. A mudança das relações de gênero, com a redução da carga de submissão feminina nas famílias beneficiárias, é um exemplo das interessantes constatações deste estudo, as quais vêm a público como importante contribuição para a reflexão e para o debate sobre este tema candente e estreitamente associado à luta contra a pobreza e as desigualdades no país.

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Orelha do livro Vozes do Bolsa Família: autonomia, dinheiro e cidadania, de Walquiria Leão Rego e Alessandro Pinzani, editora Unesp, 2013.

WALQUIRIA DOMINGUES LEÃO REGO é professora titular de Teoria Social do Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da Unicamp. É autora de, entre outras obras, Em Busca do Socialismo Democrático (Unicamp, 2001) e A Utopia Federalista: estudo sobre o pensamento político de Tavares Bastos (Ufal, 2002).

ALESSANDRO PINZANI é professor de Ética e Filosofia Política na Universidade Federal de Santa Catarina. É autor, entre outras obras, de Jürgen Habermas (Munique: Beck, 2007 trad. Brasileira: Porto Alegre: Artmed, 2009) e An den Wurzeln moderner Demokratie (Berlim: Akademie, 2009).

Tuesday, December 12, 2023

12 de dezembro de 2013


A final do programa The Voice Brasil será exibida ao vivo no dia 26 de dezembro. O sucesso desta 2.ª edição foi nitidamente maior comparado ao ano passado. Os comentários críticos ao modo "acrobático" dos candidatos, por sua vez, também foram frequentes.

Às vezes parece que o firulismo dos calouros é novidade (no bom e no mal sentido), mas não é, viu?

Programa de calouro sempre foi lugar de exibicionismo vocal. O que muda é o repertório. No Raul Gil dos anos 80 o negócio era mandar um Babalu ou alguma do Agnaldo Rayol.

Acontece que desde o João Gilberto, cantar com vozeirão, pro brasileiro, virou cafonice. O fascínio pela voz encorpada, pelo virtuosismo, nunca deixou de existir, vide a vida longa dos programas de calouros. Difícil é equilibrar o suposto (palavra da moda) refinamento e a "vontade de potência".

Uma tentativa do público foi gostar de Wilson Simonal. Até hoje há quem jure que Simonal foi um grande cantor. Mas como é possível alguém ser "grande" com uma obra baseada em pérolas como "Mamãe passou açúcar ni mim", "Pra ter fon fon trabalhei trabalhei", ou "Meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá"? Equivale a acreditar que Frank Sinatra seria o The Voice (noutro sentido) mesmo que só cantasse Cheek to Cheek, ou os Beatles se fizessem à base de Ob-la-di, Ob-la-da e All Together Now.

Simonal realizava uma fantasia do entretenimento brasileiro que ligava o "suposto" bom gosto a um, mais suposto ainda, know how gringo. Simonal era mestre em criar a ilusão de domínio técnico, muito calcada, justamente, no uso da voz encorpada, das... firulas vocais.

Lá como hoje, o padrão era o "american way" de cantar e de entreter. Nossa fama de antropofágicos é bem discutível, vamos combinar. Copiar os gringos, seja "jazzificando" ou "gospelizando" sempre nos causa um frêmito. Mas vai botar alma no negócio, pra ver que difícil que é. O inconsciente fala a língua materna. Copiar não é para amadores.

Os jurados, pra não dizer que não falei de júri, também não têm novidade nenhuma no The Voice versão nacional. O fake sempre foi norma nos concursos televisivos tupiniquins. Aracy de Almeida, Elke Maravilha, Pedro de Lara, todos, sem exceção, descarados personagens. Montagens: é tudo "de mentirinha".

Chacrinha, o animador do programa de auditório mais famoso que já tivemos, dizia "na televisão brasileira nada se cria; tudo se copia".

12 de dezembro de 2013


O threesome mais ilustre da filosofia política nacional, de Carvalho, Woerdenbag e Gentili, prepara para amanhã evento de comemoração dos 45 anos do AI 5. Está previsto um cortejo de carros de passeio que provocará engarrafamento pelas principais vias da cidade. Comandados pelo Ultraje a Rigor os festejantes prometem um buzinaço em direção aos ônibus que passarem pelas faixas exclusivas. Na frente do prédio da FIESP haverá uma plenária para discutir o que será feito com o R$1 bilhão que ficará nas mãos dos paulistanos com a suspensão do aumento do IPTU. Brilhante Ustra, Reinaldo Azevedo e Jair Bolsonaro confirmaram presença. Fernanda Lima declarou que não tem nada com isso e Contardo Calligaris mandou dizer que está indeciso, pois não consegue enxergar uma orientação ideológica muito clara entre os participantes. Não haverá tradução simultânea para a linguagem de surdos mudos, mas está garantida a presença de uma quantidade enorme de esquizofrênicos.

12 de dezembro de 2015


É SIMPLES E NÃO HÁ MEIO TERMO

Esse domingo, 13 de dezembro, é aniversário de 47 anos do AI-5, o Ato Institucional conhecido como o "golpe dentro do golpe".

Quem for às ruas sabe que vai em memória de um dos períodos mais obscuros da história brasileira.

Sabe que vai apoiar uma tramoia que prevê Michel Temer como presidente, Eduardo Cunha como vice e José Serra no Ministério da Fazenda.

Sabe que marcha ao lado da xenofobia, do racismo, contra os direitos trabalhistas, contra os direitos humanos, a favor do genocídio nas periferias, do fechamento das escolas em São Paulo, entre outras agressões à cidadania.

"Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência". A frase foi dita pelo então ministro do Trabalho e da Previdência Social Jarbas Passarinho durante a reunião que criou o AI-5, em 1968.

É simples e não há meio termo. Só quem mandou às favas todos os escrúpulos, pode, em sã consciência, apoiar as manifestações deste dia 13.

(Na foto, Artur da Costa e Silva, então ministro do exército, fotografado por Roberto Stuckert, pai.)

12 de dezembro de 2018


Fico sabendo, com certo atraso, que a dissertação de mestrado de Marielle Franco foi lançada em livro. O título, "UPP: redução da favela a três letras", faz pensar no quanto esteve desprotegida a pessoa que se dispôs a tratar de tema tão espinhoso. Faz lembrar também que, tempos atrás, um ensaísta descreveu a atitude de Dilma Rousseff no embate contra o Congresso venal e o sistema financeiro usando a expressão 'cutucar a onça com vara curta'. A onça, no Brasil, como se sabe, é cercada de amigos. Usando estratégias de ataque diferentes, devorou as duas mulheres. Nosso problema é discutir o cumprimento da vara e não a existência das onças.

12 de dezembro de 2019


Servo Moro, a Sel Marruda de calças frouxas, num mesmo dia, conseguiu posar ao lado do retrato de projéteis do Romero Brutto e tuitar essa pérola do fascismo notionless:

"Tenho grande respeito pela OAB, por sua história, e pela advocacia. Reclama o Presidente da OAB que não é recebido no MJSP. Terei prazer em recebê-lo tão logo abandone a postura de militante político-partidário e as ofensas ao PR e a seus eleitores".

Foto, 'quadro' e tuíte fornecem a descrição exata do governante que faz da vida pública uma extensão da privada.

Não há a menor possibilidade disso dar certo. A ruína a cada dia fica mais palpável.

Wednesday, December 06, 2023

6 de dezembro de 2016


Eu já fiz essa analogia tempos atrás, mas ela saltou da memória sem que eu ordenasse, hoje. O Nassif publica, em média, semanalmente, uma análise probabilística da conjuntura política do Brasil. O nome que ele dá aos textos é "xadrez". Vendo, ao longo dessa manhã, de onde partimos para onde chegamos no evento que afastou Renan Calheiros da presidência do Senado e pôs, em seu lugar, o petista Jorge Viana, reafirmo: o que está rolando, nem de longe, parece um jogo de xadrez. Isso aqui é uma pelada com bola de meia, na chuva, e o campinho foi improvisado numa ladeira de paralelepípedos.

6 de dezembro de 2018


O AGENTE LARANJA

Já conhecíamos o irmão funcionário fantasma e a Wall do Açaí. Com o aparecimento do motorista, Jair, o deputado, consolida-se como um dos maiores produtores de laranjas da política nacional. O patrimônio do filho Flávio aumentou 432% em 4 anos. O dele próprio 427% em 12 anos. Somados, os imóveis da família ultrapassam 15 milhões. Nada mal para quem, em 1988, entrou para a vereança declarando um Fiat Panorama, uma moto e dois lotes de pouco valor em Resende.

Segundo a Revista Época, 'atualmente, os Bolsonaro controlam um pequeno império no comércio de eletrodomésticos, sapatos e materiais para construção em parte do Vale do Ribeira. Um levantamento feito na Junta Comercial de São Paulo mostra ao menos 19 empresas registradas em oito municípios. As empresas estão em nome de irmãos, da mãe, Olinda Bonturi Bolsonaro, e de quatros sobrinhos'.

'Somando-se o número de filiais espalhadas por um total de 13 municípios, a família Bolsonaro tem pelo menos 30 lojas no Vale do Ribeira'. Patrimônio constituído, vale lembrar, nos últimos 10 ou 15 anos.

Além do cultivo extensivo de vastos laranjais em São Paulo, Jair, laranja de si próprio, na mudança para Brasília cercou-se de militares por todos os lados. Quem manda e quem obedece?

Traidor de seus colaboradores mais próximos, mostrou que sabe descartar o bagaço. Escanteou Malta, rifou o filho Carlos, ignorou Fraga, deu a Levy Fidelix mero cargo de assessor da vice presidência e permite que o pescoço de Lorenzoni esteja sempre a prêmio.

Sumo Laranjão do culto, dedica-se por fim, a reverenciar tudo que remeta aos Estados Unidos da América, cujo presidente, por infeliz coincidência tinge os cabelos de... laranja.

O deputado Jair parece cumprir a função do herbicida que o piloto de avião norte-americano espalhava sobre as florestas na Guerra do Vietnã. Da boca pra fora os ianques pretendiam apenas que as folhas das árvores caíssem. Isso iria impedir os vietcongues de se esconderem, e consequentemente, seria mais fácil capturá-los. O que a população civil descobriu - em médio e longo prazo - foi que, além de derrubar folhas, o composto químico provocava inúmeros outros efeitos: câncer, problemas na pele, enfraquecimento do sistema imunológico e ainda doenças que passaram de geração em geração. Como o produto foi jogado no meio ambiente, fauna, flora, solo e água foram contaminados e comprometidos.

Embora a Guerra do Vietnã tenha ocorrido há quase meio século, em 2009 foi detectado que o 'nível da substância na região estava de 300 a 400 vezes acima do limite tolerável'.

O nome do veneno oferecido aos vietnamitas pelos americanos?

Agente laranja.

Jair Bolsonaro é o nosso agente laranja made in Brazil.

Monday, December 04, 2023

4 de dezembro de 2018


A esquerda no Brasil é um fenômeno tradicional e fortemente enraizado na classe média. Classe média pensada menos em termos de poder aquisitivo e mais como detentora do acesso ao capital cultural que provém da escolarização. Escolarizar-se, no Brasil, é tão fundamental para manter níveis na pirâmide quanto para ascender. Os movimentos populares, por sua vez, são aquisições mais recentes da luta democrática e, ainda assim, recebem grande influência dos escolarizados, vide o MTST de Guilherme Boulos. Aos pobres não escolarizados do Brasil o que resta é o que Boaventura de Sousa Santos chama de 'democracia de baixa intensidade': por um lado, garantia de direito ao voto democrático e, por outro, cotidiano vivido como nas Ditaduras (pense nas polícias como gestoras 'públicas' das periferias). O desgoverno do deputado Jair vem prometendo estender às classes médias que não o apoiam o mesmo tratamento dispensado aos subalternizados. Foi o que aconteceu no período mais duro do Golpe Civil e Militar de 1964. Suspenderam-se os privilégios dos abastados que tiveram a 'desfaçatez' de afrontar o regime. Foram mortos e torturados como se fossem 'qualquer um'. As classes médias temos sido também importantes guardiões da memória do horror das décadas de 60 e 70 do século passado. Talvez por isso as bravatas, ameaças, gritos de guerra do neofascimo jairista nos assustem tanto. O fato é que, anestesiado pela condição de cidadão de primeira classe, o middle class de esquerda made in Brasil está aparvalhado, não sabe o que fazer (Os partidos de esquerda poderiam ser bons condutores da população, mas já passa da hora de aceitar que os partidos são parte determinante da própria crise e não há muito o que esperar deles). Chego até aqui para dizer que creio que quem está mais bem preparado para o momento que se aproxima são os movimentos identitários de minorias. Negros, LGBTs, Movimentos Feministas, ou movimentos organizados como os Sem Terra, ou os Sem Teto, já lutam, desde sempre, contra um inimigo que planeja dizimá-los. Que prega o extermínio como solução. Independente de sua origem social, ou do grau de sua escolarização, o integrante de cada uma dessas chamadas minorias está condicionado ao status do que Jessé Souza chama de 'subcidadão', Judith Butler diz 'ungrievable' e Hannah Arendt descrevia como 'pária'. Ou seja, sua existência não importa. A sociedade 'de bem' não verterá lágrimas diante da destruição de seus corpos. É isso que o deputado Jair, aquele que nunca será presidente, promete. Para todos os que não compactuem com sua ideologia, o puro e simples extermínio. Há que ter casca grossa pra enfrentar. Tem que ter 'expertise'. Tem que ter habilidade. Tem que ter disposição. As minorias militantes têm.

4 de dezembro de 2018


Semana passada eu li que um pastor do Rio de Janeiro, famoso o suficiente para aparecer no jornal, mas menos do que eu preciso pra lembrar o nome dele, disse que não acredita nas estatísticas que apontam que negros morrem em maior número do que brancos no Brasil. Para 'comprovar' sua linha de argumentação o homem de Deus exemplificou: "Eu vou a inúmeros enterros de brancos. Quase nunca vou a enterros de pessoas negras". Para garantir que não fiquem dúvidas, é evidente que o entrevistado debocha do fato de fazer parte da condição de subcidadania do negro brasileiro ter até mesmo seu funeral invisibilizado. Não há mais brancos mortos. O que há é que enterro de branco tem mais reconhecimento social. Por isso o pastor 'comparece'. É com esse tipo de gente, com esse grau de cinismo que teremos que lidar a partir do dia 1 de janeiro do ano de 2019. Se sem cargos esses filhos-da-puta agem assim, imagine com uma caneta na mão.

4 de dezembro de 2016



ANÁLISE DO DISCURSO

A modinha da semana é postar no Facebook que a ideia de esquerda como sinônimo de corrupção 'pegou'.

A 'disputa pela narrativa', portanto, terá que estar centrada no desenvolvimento de um 'discurso próprio' sobre, justamente, a corrupção.

Tipo vencer a UDN fundando uma UDNdoB.

É preciso reconhecer, segundo os novos estrategistas, que a direita foi capaz de construir uma linha de argumentação 'contundente'.

Um exemplo, ouvido hoje em Copacabana:

'Nós hoje estamos aqui inaugurando um novo Brasil. Não se iludam: o Brasil deles ficou no passado. O Brasil do Sarney, do Lula, da corrupção não existe mais. Nós somos um novo Brasil, um Brasil que não precisa de heróis. Nós não acreditamos em Antônio Conselheiro, Padinho Ciço, essas coisas. Nós acreditamos em Sergio Moro, porque ele é a Justiça'.

O orador em questão era o Marcelo Madureira.

Do CASSETA & PLANETA.

Parece uma piada? Muito! Só não tem graça.

Na real, nada de novo. As micaretas coxinhas continuam o mesmo hospício a céu aberto de sempre.

Enquanto olhávamos para elas, o golpe aglutinou todas as forças da reação contra o governo democraticamente eleito em 2014. Mercado, indústria, agronegócio, mídia, executivo, legislativo, judiciário, polícia, igrejas, sociedade civil, sindicatos, redes sociais...

Está sendo um massacre.

Mas agora a esquerda-mais-esquerda-que-a-gente resolveu que o problema 'é da ordem do discurso'.

Isso parece tomar uma surra de três fortões na escola e treinar palavrão para xingar eles na revanche.

Enquanto apanha! 😜

4 de dezembro de 2016


VIRANDO MAIS UMA PÁGINA

Na real, Carna-Coxinha grande, só teve um: o de 13 de março de 2016, na Paulista. O Datafolha falou em 500 mil pessoas.

Tudo o que veio depois disso, e até mesmo o que veio antes, veio todo trabalhado na pós-verdade.

Uma verdadeira mitologia (com o perdão do oxímoro).

Hoje, em Brasília, segundo uma brasiliense, "disseram que tinha 5 mil pessoas, mas não mostraram imagens. Devia ter umas 500, contando com as 30 carpas do espelho d'água".

Tá na média. Dia 13 de março o pessoal falou em 3... milhões!

O Lindbergh tirou um sarro no perfil dele, também.

Toda micareta fascista existe só para ser divulgada pelo PIG.

Hoje foi mais uma, pra manter a bola em jogo.

Ao funeral do Fidel, dizem, compareceram 2 milhões de pessoas.

Detalhe: Cuba tem 11 milhões de habitantes.

4 de dezembro de 2016

Perdão voltar ao Ortellado, mas ele é a voz da vez.

O artigo que publicou no Le Monde Diplomatique é uma sequência ininterrupta de equívocos.

Um grave: tomar o discurso dominante sobre as causas e efeitos da corrupção no Brasil como correto, ou verdadeiro.

Outro: pretender que a conquista da dominância desse tal discurso se deva mais à 'ação militante das novas organizações da sociedade civil' de direita, que receberam 'o valioso apoio de alguns meios de comunicação' e não, justamente, o contrário.

Na análise do professor não existe a luta de classes. Tudo são conjunturas.

A negação do conflito fundante, no entanto, revela, a contrapelo, o acerto de se dizer dos partidos e movimentos aos quais Ortellado está ligado, que formam a "esquerda burguesa" brasileira.

Talvez, melhor fosse especificar: "esquerda pequeno-burguesa".

Só nas fantasias mais delirantes da classe média a luta de classes é uma falácia.

Discute-se muito se Pablo Ortellado erra por burrice ou por cálculo.

O arrivismo do homem é constrangedor e fica claro quando se percebe que a ideia de "janelas de oportunidades" corta o artigo transversalmente, por ironia, da direita à esquerda.

Mas se valesse de algo uma aposta, eu apostaria na genuinidade das asserções assumidas por ele no Facebook. Pablo Ortellado é, do fundo do coração, acredito, um grande pequeno-burguês.

4 de dezembro de 2015


FALA QUE EU TE ESCUTO

O governador Geraldo Alckmin declarou:

A polícia conversa. A polícia dialoga. E é verdade!

Veja na imagem, o soldado da PM fazendo uso da Linguagem Brasileira de Sinais, LIBRAS, para dialogar com um estudante ocupacionista.

O policial, qualificado e atento às necessidades de seu interlocutor, teve o cuidado de falar bem pertinho do ouvido do manifestante. Garantiu, dessa maneira, a eficácia da mensagem transmitida em LIBRAS, que, como se sabe, é feita exclusivamente com as mãos.

Sunday, December 03, 2023

3 de dezembro de 2019


O que será...

Que andam combinando no breu das tocas?
Que andam acendendo velas nos becos?
E gritam nos mercados, que, com certeza,
Não tem conserto nem nunca terá...

.

O que será? Que será...

Que está na romaria dos mutilados?
No plano dos bandidos, dos desvalidos?
Que todos os avisos não vão evitar
E todos os meninos vão desembestar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno...


3 de dezembro de 2017

STRANGER THINGS

Rosa-ângela e o servo moravam no Castelo de Car(t)as. Foi quando Durángo Kid anunciou a Black Friday do Zuttoloko: tudo pela metade do dobro. E a casa feita com muito esmero na rua dos bobos número zero... sumiu.