Saturday, December 18, 2010
Wednesday, December 15, 2010
Sunday, December 12, 2010
Jornalismo Literário - Novembro / Dezembro
John Hersey - Hiroshima
Jon Krakauer - Na Natureza Selvagem / No Ar Rarefeito
Ryszard Kapuscinski - O Imperador
Marcadores: Sobre leituras
Como o que é tosco tem virado cult, SS tende a ser perdoado
RAUL JUSTE LORES - EDITOR DE MERCADO - FOLHA DE SÃO PAULO
A comoção popular à derrocada bilionária do banco PanAmericano mostra que, apesar de tudo, Silvio Santos é um empresário de sorte.
Apesar de sua conduta, ele obtém sucessivos perdões em uma cultura que adora desconfiar de outros empresários. Seu lugar garantido na memória afetiva de milhões de brasileiros o beneficia bastante.
"Que exemplo, ele colocou os próprios bens como garantia para pagar as dívidas", foi o elogio quase unânime. A atitude legal e esperada virou demonstração de correção e honestidade.
Colocar um parente, personal trainer, à frente do banco, foi tratado mais como excentricidade que como gestão pouco profissional.
Títulos de capitalização e carnês do Baú geraram fortuna em tempos de inflação galopante. Pessoas humildes depositavam suas economias e, desde que tivessem pago as mensalidades "em dia", poderiam trocar sua poupança um ano depois por panelas ou saboneteiras a preços inflacionados nas lojas do Baú.
Nem essa transferência de renda da base ao topo da pirâmide conseguiu manchar a admiração popular do dono do Baú. Em tempos de populismo e de jornalismo a favor de governos, o responsável pela "Semana do presidente", que bajulava militares sem culpa, acaba absolvido por default.
Mas aonde SS anda menos bem-sucedido é na plataforma onde era imbatível. O SBT é cada vez mais irrelevante. Dramalhões mexicanos importados ou adaptados aqui não repetem há anos o sucesso obtido por "Carrossel" ou "Maria do Bairro".
Gugu o trocou pela Record, Ratinho encolheu e a emergente classe C já consegue sair mais aos domingos, longe do aparelho da TV. Melhor uma economia pujante que a Porta da Esperança.
Mas, para quem arremessa dinheiro dobrado como aviãozinho à plateia para que mulheres simples se engalfinhem ou faz a menina Maísa chorar sob deboche, a admiração supera o ibope. A tendência atual de elevar ao status de cult o que é simplesmente tosco está a seu lado.
Friday, December 10, 2010
Deu na Folha. Mas o Lula falou antes.
09 / 12 / 2010
Em discurso no evento de balanço de quatro anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou solidariedade ao fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange. Lula se disse espantado por “não haver nenhuma manifestação” contra a prisão do australiano, acusado de agressão sexual a duas mulheres, e contra as retaliações que tem sofrido após a divulgação de documentos secretos de diplomatas americanos.
“Em vez de culpar quem divulgou, deve se culpar quem escreveu. Então eu presto minha solidariedade ao fundador do WikiLeaks”, afirmou Lula, que ainda criticou a imprensa por não defender o direito de livre expressão de Assange. “O rapaz do WikiLeaks foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a ameaça à liberdade de expressão”, disse.
Lula é o primeiro líder internacional a se manifestar de forma veemente contra a prisão de Assange. O presidente deu a entender que, apesar de Assange ser acusado de estupro na Suécia, sua prisão está relacionada à divulgação de dados sigilosos dos Estados Unidos. “Aí aparece o tal de WikiLeaks, desnuda a diplomacia que parecia inatingível, a mais certa do mundo, e começa uma busca. Eu não sei se não colocaram cartazes como no faroeste, de ‘Procura-se, vivo ou morto’, mas prenderam o rapaz”, afirmou.
Luciana Cobucci
Marcadores: da Dignidade da Política, WikiLeaks
editoriais@uol.com.br
Caça ao WikiLeaks
Num ataque à liberdade de expressão, governos e empresas perseguem o site e seu fundador com o intuito de evitar novos vazamentos
Está em curso uma cruzada de governos e empresas internacionais contra o WikiLeaks. O site, que existe desde 2007, ganhou fama em meados deste ano ao divulgar um vídeo que mostrava militares norte-americanos fuzilando iraquianos de um helicóptero.
No dia 28 de novembro, um domingo, sua página na internet iniciou a publicação de 251.288 despachos relativos a 274 representações diplomáticas dos EUA. Os "cables" revelam a opinião da diplomacia norte-americana sobre líderes mundiais e trazem à tona informações inéditas sobre a política internacional.
Entre outras revelações, soube-se que a secretária de Estado Hillary Clinton determinou a espionagem de membros da cúpula das Nações Unidas e que os Estados Unidos lançaram mísseis contra o que seriam alvos da Al Qaeda no Iêmen, provocando a morte de 200 civis e 40 terroristas.
Os vazamentos causaram fortes reações de governantes e deflagraram uma caçada ao australiano Julian Assange. Procurado pela Interpol, sob acusação de supostos crimes sexuais praticados na Suécia, o fundador do site entregou-se à Justiça britânica na terça.
A perseguição parece relacionada ao intuito de silenciar um novo meio de divulgar informações que ganhou uma inesperada projeção internacional e tornou-se um incômodo para governos de diversos países.
Espécie de caixa postal criada na rede mundial de computadores para receber e divulgar documentos secretos, o site WikiLeaks não é um órgão propriamente jornalístico, embora conte com profissionais da mídia para avaliar o material que recebe e mantenha acordos com veículos impressos - entre os quais o britânico "Guardian", o norte-americano "The New York Times" e esta Folha, que tem divulgado os "cables" relativos ao Brasil.
O caráter ambíguo do WikiLeaks, aliado à sua inexistente tradição -não há histórico consolidado de seus valores e comportamentos-, gera desconfiança sobre a possibilidade de o site vir a colocar em risco a segurança internacional e a vida de pessoas.
Essas incertezas possivelmente contribuem para as hesitações que se observam em setores que deveriam defender com vigor a liberdade de expressão e o direito da mídia, tradicional ou não, de divulgar informações reservadas.
Quanto a isso, há jurisprudência nos EUA, onde a Suprema Corte, em 1971, decidiu a favor do jornal "The New York Times" contra o governo de Richard Nixon, que determinara censura prévia para impedir a publicação dos chamados Papéis do Pentágono. O tribunal estabeleceu que o governo não pode obstar a publicação de notícias que considere lesivas à segurança ou aos objetivos nacionais.
Num mundo em que governos democráticos inventam mentiras para invadir países, vazamentos como os do WikiLeaks prestam um serviço ao esclarecimento e à verdade. Se a diplomacia exige sigilo, que seus responsáveis o mantenham com eficiência.
Marcadores: da Dignidade da Política, WikiLeaks
Sunday, December 05, 2010
Governador do Rio pretende sugerir a Dilma que leve a discussão sobre a legalização das drogas no mundo à ONU
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que vai levar à presidente eleita, Dilma Rousseff, a ideia de defender em fóruns internacionais "uma discussão" a respeito da legalização das drogas leves. Ele disse a Kennedy Alencar que a repressão às drogas mata "inocentes". De acordo com Cabral, a legalização não poderia ser adotada de modo isolado pelo Brasil, mas por um conjunto de países.
Marcadores: descriminalização das drogas, Violência no Rio
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
O golaço carioca
O Rio marcou um gol, um golaço. E digo bem: foi a cidade do Rio de Janeiro e não apenas seu governo, a polícia ou as Forças Armadas. A César o que é de César: a articulação entre governo, polícias e Forças Armadas foi importante e deixa-nos a lição de que sem articulação entre os muitos setores envolvidos na luta contra o crime organizado e sem disposição de combatê-lo a batalha será perdida. Mas sem o apoio da sofrida população do Rio, dos cariocas e brasileiros que habitam a cidade, e muito particularmente sem o apoio da população que vive nas comunidades atingidas pelos males da droga e pela violência do tráfico, o êxito inicial não teria sido possível.
Estive no morro Santa Marta há pouco tempo, quando a Unidade da Policia Pacificadora já estava estabelecida e pude ver que efetivamente o medo e o constrangimento da população local haviam desaparecido. A droga ainda corre por lá, mas entre usuários e não nas mãos de traficantes locais. Sei que em São Paulo e em outras regiões do país também há tentativas bem sucedidas de devolver ao Estado sua função primordial: o controle do território e o monopólio do exercício da violência (sempre que nos marcos legais). Mas o caso do Rio é simbólico porque a simbiose entre favela e bairro, entre a cidade e a zona pretensamente excluída está entranhada em toda parte.
Há, portanto, o que comemorar. Faz pouco tempo eram quase 100 mil moradores de comunidades cariocas que se haviam libertado, graças à presença da Polícia Pacificadora, da sujeição ao terror do tráfico e das regras de “justiça pelas próprias mãos” ordenadas pelo chefões locais e cumpridas por seus esbirros. Com a entrada do Estado no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, há a possibilidade de incorporar mais gente às áreas restituídas à cidadania. Mas estas populações serão mesmo restituídas à vida normal em uma democracia? E neste passo começam as perguntas e preocupações. Sem que se restabeleçam as normas da lei, sem que a permanência da força policial, sem que a Justiça comum volte a imperar, sem que a escola deixe de ser um local onde se trafica, sem que os mercados locais sejam interconectados com os mercados formais da cidade e sem que a educação e o emprego devolvam esperança aos “aviões” (os jovens coagidos a serem sentinelas dos bandidos e portadores de droga para os usuários), a vitória inicial será de Pirro. Neste caso a não guerra em algumas comunidades pela fuga dos traficantes com parte de suas armas pode desdobrar-se adiante em um inferno a que serão submetidas populações de outras comunidades, seja por traficantes ou membros das milícias.
Não escrevo isso para diminuir a importância do que já se conseguiu. Pelo contrário, mas para chamar à responsabilidade todos nós, como cidadãos, como pais, avós, como partes da sociedade brasileira pelo que acontece no Rio e em quase todo o país. Fiquei muito impressionado com o que aprendi e vi ao integrar um grupo que está preparando um documentário sobre drogas. Estive em Vigário Geral em um encontro que José Junior do AfroReggae proporcionou para que eu pudesse entrevistar traficantes arrependidos e policiais envolvidos nas guerras locais. Entrevistei muitas mães de famílias, mulheres em presídios, jovens vitimados pelo tráfico (e quem sabe se não partes dele também). Eu havia estado na Palestina ocupada por forças de Israel e vi o constrangimento a que as populações locais são submetidas. Pois bem, no Rio de Janeiro, o constrangimento imposto pelo crime organizado e às vezes exacerbado pela violência policial, que por vezes se confundem, é pelo menos igual, senão maior, ao que vi na Palestina. A falta de liberdade de ir e vir que os bandidos de diferentes facções impõem a seus “súditos” forçados e o medo da “justiça direta” tornam as populações locais prisioneiras do terror do tráfico. E não adianta dar de ombros em outras partes do Brasil e pensar que “isso é lá no Rio”. Não, a presença do contrabando, do tráfico e da violência do crime organizado está em toda parte. E a ausência do Estado também, para não falar que sua presença é muitas vezes ameaçadora pela corrupção da polícia e suas práticas de violência indiscriminada.
Se agora no Rio de Janeiro as ações combinadas das autoridades políticas e militares abriram espaço para um avanço importante, é preciso consolidá-lo. Isso não será feito apenas com a presença militar, a da justiça e a do Estado. Este está começando a fazer o que lhe corresponde. Cabe à sociedade complementar o trabalho libertador. Enquanto houver incremento do consumo de drogas, enquanto os usuários forem tratados como criminosos e não como dependentes químicos ou propensos a isso, enquanto não forem atendidos pelos sistemas de saúde publica e, principalmente, enquanto a sociedade glamourizar a droga e anuir com seu uso secreto indiscriminadamente, ao invés de regulá-lo, será impossível eliminar o tráfico e sua coorte de violência. A diferença entre o custo da droga e o preço de venda induzirá os bandos de traficantes a tecer sempre novas teias de terror, violência e lucro.
Sem que o Estado, inclusive senão que principalmente no nível federal, continue a agir, a controlar melhor as fronteiras, a exigir que os países vizinhos fornecedores de drogas coíbam o contrabando, não haverá êxito estável no controle das organizações criminosas. Por outro lado, sem que a sociedade entenda que é preciso romper o tabu e veja que o inimigo pode morar em casa e não apenas nas favelas e se disponha a discutir as questões fundamentais da descriminalização e da regulação do uso das drogas, o Estado enxugará gelo. Ainda assim, só por liberar territórios nos quais habitam centenas de milhares de pessoas, o Rio de Janeiro enviou a todos os brasileiros um forte sinal de esperança.
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Friday, December 03, 2010
Thursday, December 02, 2010
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Monday, November 29, 2010
Os pontos positivos da operação no RJ
Enviado por luisnassif, seg, 29/11/2010 - 10:16
Por luka
Realmente são muitas opiniões e invariavelmente dizem que nada vai dar certo. Assim fica muito difícil.
Prefiro apenas destacar os pontos que achei positivos nesta operação.
- Houve resposta de pronto. A participação das forças armadas veio da real ameaça a segurança pública. Não vi a resposta como: "Eu sou mais forte que você." Minha visão foi "Vocês metem medo e eu lhes dou um grande prejuizo".
- Aquela população, seja com tráfico ou milícia tem que ter acesso a políticas sociais. No Alemão, especificamente, isto era absolutamente impossível. Quem diz que sempre viveu tranquilo com o tráfico não teve que entregar sua filha a um chefe ou seu filho ao tráfico. Viver nas imediações não é viver na favela.
- A estratégia a meu ver não é acabar com o tráfico, coisa que acho impossível. A ideia é dar prejuízo, fazer não valer a pena esta espécie de domínio. A forma de tráfico terá que se diferenciar, tornar-se mais discreta ou menos violenta, por mais louco ou hipócrita que possa parecer. Tanto que onde existem UPPs o tráfico continua sem tanto alarde.
- Não creio que a UPP seja para todas as favelas mesmo porque estado policial seria, haver tanta policia em tanto lugar. Há aquelas como o Alemão onde a presença do estado não existe e é necessária. Há aquelas, grande maioria, em que planejamento urbano, atendimento social e melhoria das condições de emprego, mesmo ao redor, podem criar um círculo virtuoso.
- A melhoria da condição social é a resposta tanto ao tráfico quanto as milícias. Não ser dependente deles é a questão. Assim como acontecia no famoso voto de cabresto no nordeste.
- A atuação da polícia no caso teve resposta positiva da população pois não viram, aparentemente, os abusos que até então se via. Para reforma da polícia é preciso haver um espírito corporativo para isto. A valorização da atitude positiva é muito menos deletéria do que o medo do pescoção. Policial com orgulho de sua profissão sabe que milicianos não são polícia.
- As imagens chocantes daquele mundo desconhecido e o desejo de mudança daquele povo servem de alerta ao políticos corruptos. Chefes de milícia marcados por CPIs podem perder mandato a qualquer momento. Traficante não. É fato que uma realidade desconhecida da grande maioria veio a tôna. Isso pode trazer maior nivel de conscientização.
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CONFRONTO NO RIO
Criminosos já estavam arrasados, diz mediador
O coordenador do grupo AfroReggae já sabia que um dos chefes do tráfico no Complexo do Alemão pediu aval para matá-lo
PLÍNIO FRAGA / DO RIO / FSP
Há 17 anos na mediação de conflitos em favelas do Rio, José Júnior, 41, coordenador do Grupo AfroReggae, tentou convencer traficantes do Complexo do Alemão a deporem as armas, tendo como interlocutores lideranças que defendiam seu assassinato.
Cartas apreendidas em agosto no presídio de Catanduvas (PR), destinadas a chefes do Comando Vermelho, pediam autorização para matá-lo. A polícia acredita que os autores foram os traficantes Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Fabiano Atanásio da Silva, o FB.
"Posso ser mal interpretado e é tudo o que os reacionários querem ouvir: eu não queria que os bandidos morressem. Não é um exercício de generosidade, bondade, mesmo com pessoas que tramaram contra mim e que poderiam me pegar como refém", disse ele à Folha.
Júnior diz como encontrou os traficantes: "O governo cansou os caras. Encontrei um grupo arrasado emocionalmente. Não demonstravam interesse no confronto."
Folha - Por que traficantes queriam matá-lo?
José Júnior - O que motivou a carta foram mediações que fizemos. 99% do que a carta diz é verdade no que diz respeito ao Afroreggae. Duas pessoas ficaram muito incomodadas. Uma delas havia me ajudado a mediar muitas coisas. Até enviar a carta, foi para mim um facilitador para mediar muitos conflitos. Foi uma decepção. Não que não esperasse uma coisa dessas do crime, mas dessa pessoa.
Quando vem de alguém que você tem contato, que, mesmo sendo bandido, sempre teve uma postura de não ir para o confronto, gera uma decepção muito grande. Depois disso, acontecem esses ataques.
E, por eu estar como alvo, sabia que, se a carta chegasse ao Marcinho VP, líder do CV na cadeia, ele não autorizaria que me matassem. Acho que ele não autorizou esses ataques também. Foi coisa de algumas pessoas do tráfico, não de todas.
Como decidiu ir negociar a rendição?
No início, me senti desmotivado a mediar por ser alvo. Anteontem recebi recados. Foram três telefonemas perguntando se existiria possibilidade de negociação. Eu disse que só a rendição completa e total. "Não existe uma alternativa?", me perguntou um deles. Primeiro, disse que não me cabia isso.
Havia falado com o Allan Turnovski [diretor de Polícia Civil]. Ele disse que a polícia garantia que não esculacharia nem mataria ninguém, se eles se entregassem sem confronto.
Os traficantes, ficou claro agora, não queriam confronto. Sempre que fui mediar, nunca tinha sido alvo.
Meus amigos policiais diziam que eu não deveria ir ao Alemão. Já que havia uma bronca contra mim.
Minha ida lá foi porque os moradores me pediam o tempo todo, os traficantes me pediam também.
Posso ser mal interpretado e é tudo o que os reacionários querem ouvir: eu não queria que os bandidos morressem. A verdade é essa. Não é um exercício de generosidade, bondade, mesmo com pessoas que tramaram contra mim e que poderiam me pegar como refém. Eu fui para o risco. Deixei um e-mail até para o governador dizendo que eles não tinham responsabilidade e que eu assumia o risco.
O que encontrou?
O governo cansou os caras. Inteligentemente. Encontrei um grupo arrasado emocionalmente. Eles não demonstravam interesse no confronto naquele momento. Eu disse que a polícia tinha interesse de prender todos vivos, sem confronto.
Estavam conscientes do aparato militar. Foquei muito na vida e na morte. Disse que, se eles atacassem, iriam morrer. Fui falar das alternativas que tinham: se entregar ou se entregar. Abandonar as armas. É bom deixar claro o que é esta negociação. Não propusemos nada em troca.
Quando eles disseram que não se entregariam?
Ninguém falou isso. Várias pessoas se entregaram. Os caras tentam fugir. Não deu, se entregam.
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Sunday, November 28, 2010
Thursday, November 25, 2010
É claro que Tropa de Elite é só um filme de tiros e bombas. Mas o Zé Padilha quer ser levado a sério. É claro que a visão política do Zé Padilha é a mesma visão simplória da classe média que "lavou as mãos" na última eleição presidencial. O Zé Padilha quer que Tropa de Elite seja um filme com mensagem mas é claro que Tropa de Elite é só um filme em que não sobra ninguém pra dar mensagem.
Prestes a quebrar mais um recorde com "Tropa de Elite 2", José Padilha celebra sucesso do ''cinema político''
ALESSANDRO GIANNINI (Editor de UOL Cinema)
De acordo com as projeções de Marco Aurélio Marcondes, coordenador de lançamento de "Tropa de Elite 2", o filme de José Padilha deve bater o recorde de público do cinema brasileiro ainda esta semana ou, no máximo, até 3 de dezembro. O recordista oficial é "Dona Flor e Seus Dois Maridos", com 10,7 milhões de ingressos vendidos em sua carreira comercial nas salas. Adaptação do romance de mesmo nome de Jorge Amado, tem direção de Bruno Barreto e traz Sônia Braga e José Wilker nos papéis principais.
Até o momento, "Tropa de Elite 2" registra 10,1 milhões de ingressos vendidos. Segundo Marcondes esse número é "precário", o que no jargão do meio cinematográfico quer dizer incompleto. "Faltam ainda os números do circuito UCI, já que eles tiveram problemas com o sistema", disse ele, em uma entrevista exclusiva ao UOL Cinema por telefone. "É preciso somar a isso mais ou menos uns dez porcento." O coordenador de lançamento prevê que o filme chegará aos 12 milhões de público até o fim de sua carreira nas salas.
Declaradamente avesso a números, Padilha se diz "feliz" com esse resultado. "Como cineasta, fico feliz com esses 10 milhões de ingressos vendidos", disse ele, em uma entrevista exclusiva ao UOL Cinema por telefone, da sede de sua produtora, no Rio de Janeiro. "Porque o 'Tropa de Elite 2' é um filme político. E isso demonstra que existe no Brasil interesse por debater os temas propostos por esses filmes. O cinema brasileiro tem uma vitalidade. Mostra que o cinema é uma aposta boa."
Por "cinema político" Padilha entende o cinema de cunho social, que coloca em discussão temas de interesse geral. "Tem política com 'p' minúsculo e política com 'p" maiúsculo", explicou ele. "O cinema político de que falo é como os americanos entendem. Por exemplo, 'Garapa' [documentário sobre a pobreza no Brasil profundo] eu considero dentro desse espectro. Porque discute um tema, a fome, de interesse geral."
Pela primeira vez desde a eleição de Dilma Rousseff para a presidência, Padilha falou sobre o aspecto político de "Tropa de Elite 2" e de suas próprias convicções. Em primeiro lugar, reafirmou que o dia 8 de outubro era a melhor data para o lançamento do filme, independente do processo eleitoral. "Foi uma decisão mercadológica", disse ele. Do ponto de vista político, o cineasta afirmou que a coisa mais importante das eleições foi o "Ficha Limpa". "Para o brasileiro, é mais importante mudar a regra [do processo eleitoral] do que ficar discutindo o resultado [das eleições]. Como funcionam as eleições aqui? Os políticos disputam cargos no governo para fazer caixa do partido e de campanha para disputar as próximas eleições. Esse tipo de processo favorece a corrupção. Não se pensa no bem comum. Por isso, não me interessa aderir a esse ou aquele lado."
Sobre a campanha eleitoral, especialmente a do segundo turno das eleições para presidente, Padilha disse que não ficou animado. "Achei que foi muito mercadológica", disse ele. "Sem coração e, talvez, até sem coragem. Para o Serra, principalmente, achei que faltou coragem. A [comentarista política] Miriam Leitão disse, e eu concordo: durante a campanha, nunca se falou em retomar o imposto da CPMF, mas depois o assunto veio à tona rapidamente."
Esses assuntos estarão em pauta no próximo filme do cineasta, o anunciado "Nunca Antes na História desse País". Até agora, Padilha e Luiz Eduardo Soares escreveram duas versões do roteiro. Segundo o cineasta, não há, por mais que isso possa parecer estranho, ligação com a realidade. "A ideia básica é de ficção", alerta. "Um partido de esquerda idealista e com o monopólio da ética tem uma chance de eleger um presidente. Como vai abrir mão de seus ideais para conseguir eleger o presidente e assumir o poder? Esse seria o primeiro ato, apenas, mas a história continua."
Marcadores: da Dignidade da Política, Tropa de Elite
Thursday, November 18, 2010
O projeto baiano repete o mesmo press-release. A ausência de "ensaios críticos", a "negação do tom acadêmico", substituídos pelo "afeto dos ensaístas sobre a obra em questão", vêm se constituindo, ao longo de mais de 40 anos, num modo operante. Piquenique do coro dos contentes. Marcus Preto, o atual inocente útil da Folha de São Paulo, se incumbe da tarefa de repassar a mensagem. Grifados vão os lugares-comuns repetidos à exaustão, como mantras publicitários e, claro, sem revisão crítica, ao longo das últimas décadas. "Ou o mundo se brasilifica, ou virará nazista" é patético de tão demagógico...
Álbum "Tropicália" ganha revisão em imagem e texto
Livro traz releituras de cada uma das doze canções do disco-manifesto lançado em 1968, criadas por ensaístas e artistas plásticos
MARCUS PRETO
Com 43 anos completos, a revolução formal conduzida por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Rogério Duprat e Mutantes continua alimentando nossos artistas - dentro e fora do ambiente da música popular.
Organizado pela pesquisadora Ana de Oliveira, o livro "Tropicália ou Panis et Circencis", com lançamento hoje, às 20h, na Cinemateca (lgo. Senador Raul Cardoso, 207; tel. 0/xx/11/3512-6111), vem somar aos inúmeros estudos, análises e ensaios já existentes sobre esse tema.
Ana convidou ensaístas e artistas visuais para recriarem, em textos e imagens, cada uma das 12 faixas do álbum homônimo. O volume, de 130 págs., acompanha 12 cartazes de 93 x 62 cm. Os textos ficaram a cargo de Jorge Mautner, Hermano Vianna, Viviane Mosé, Antônio Risério, Aguilar, Bené Fonteles, Bráulio Tavares, Christopher Dunn, Frederico Coelho, Manuel da Costa Pinto, Newton Cannito, Noemi Jaffe e Arnaldo Antunes.
"A ideia era não fazer um livro de ensaios críticos, mas fugir do tom acadêmico", ela diz. "Queria que os textos incluíssem a questão emocional, em que estivesse presente o afeto dos ensaístas sobre a obra em questão."
A lista de artistas plásticos inclui Guto Lacaz, Aguilar, Lenora de Barros, Gringo Cardia, André Vallias, Ailton Krenak, Ernane Cortat, Ray Vianna, Leandro Feigenblatt, Nelson Provazi, Adriana Ferla, Rico Lins e o coletivo assume vivid astro focus.
Segundo Lenora, entrar em contato íntimo com o álbum só torna ainda mais clara a importância dele no contexto artístico nacional. "Assim que fui trabalhar em cima da "Lindonéia" (canção de Caetano que, por sua vez, foi inspirada em quadro de Rubens Gerchman), tive certeza que, via Caetano, a Lindonéia do Gerchman sempre esteve em mim, presente no meu trabalho", diz.
"AMÁLGAMA"
Lançado em 1968, o LP "Tropicália ou Panis et Circencis" regulamentava, em manifesto sonoro, os explosivos conceitos já expostos por Caetano, Gil, Mutantes e o maestro Rogério Duprat no festival da Record de 1967.
Terminava de dinamitar, sem caminho de volta, muitos dos padrões estabelecidos da MPB de então, rompendo fronteiras entre bom e mau gosto, direita e esquerda, nacional e estrangeiro.
"Mais do que mistura ou miscigenação, o tropicalismo promoveu a amálgama", diz Mautner. "O disco realiza a profecia do Walt Whitman, poeta americano, que diz que o vértice da humanidade será o Brasil. Ou o mundo se brasilifica, ou virará nazista."
TROPICÁLIA OU PANIS ET CIRCENCIS
AUTOR Ana de Oliveira (org.)
EDITORA Iyá Omin
QUANTO R$ 153 (127 págs.)
Marcadores: Tropicalismo
A coluna de Calligaris, em dia de auto-ajuda, me lembrou irremediavelmente a piada do cara que, 25 anos de terapia depois, recebe alta, continua fazendo xixi na cama mas, agora nem liga
CONTARDO CALLIGARIS
Felicidade e alegria
Quando eu era criança ou adolescente, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.
Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor.
Por sorte, 1) meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a tarefa de articular essas inanidades a amigos, parentes ou pedagogos desavisados; 2) graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o seguinte: os adultos que afirmavam que a infância era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas; 3) com isso, evitei uma depressão profunda pois, uma vez que a infância e a adolescência, que eu estava vivendo, não eram paraíso algum (nunca são), qual esperança me sobraria se eu acreditasse que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção?
Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: 1) quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível no futuro, na idade adulta; 2) quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes.
Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de uma outra época da vida -que ainda não chegou ou que já passou.
No filme de Arnaldo Jabor, "A Suprema Felicidade", que está em cartaz atualmente, o avô (extraordinário Marco Nanini) confia ao neto que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no máximo, ser alegre.
Claro, concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito mais do que a felicidade. Então, o que é a alegria?
Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto, da mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa diante de pratos que não são nossos preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso.
Essa alegria, de longe preferível à felicidade, é reconhecível sobretudo no exercício da memória, quando olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou para nós mesmos. Alguém perguntará: é reconhecível como?
Pois é, para quem consegue ser alegre, a lembrança do passado sempre tem um encanto que justifica a vida. Tento explicar melhor.
Para que nossa vida se justifique, não é preciso narrar o passado de forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final seja sublime (descobri a penicilina, solucionei o problema do Oriente Médio, mereci o Paraíso).
Para justificar a vida, bastam as experiências (agradáveis ou não) que a vida nos proporciona, à condição que a gente se autorize a vivê-las plenamente.
Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é.
É óbvio que não consegui explicar o que são a alegria e o encanto da vida. Talvez eles possam apenas ser mostrados: procure-os em "Amarcord" (1973), de Federico Fellini, em "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas" (2003), de Tim Burton ou no filme de Jabor. "A Suprema Felicidade" me comoveu por isto, por ter a sabedoria terna de quem vive com alegria e, portanto, no encantamento.
Segundo Max Weber (1864-1920), a racionalidade do mundo industrial teria acabado com o encanto do mundo. Ultimamente, bruxos, vampiros, lobisomens, deuses e espíritos andam por aí (e pelas telas de cinema); aparentemente, eles nos ajudam a reencantar o mundo.
Ótimo, mas, para reencantar o mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo.
Eu Dou o que Elas Gostam
A Pausa que diverte
EDUARDO ESCOREL
O fato de ter sido visto por mais de 7 milhões de espectadores nas primeiras semanas de exibição – demonstrando potencial para se tornar o filme de maior público do cinema brasileiro – não exclui a necessidade de argumentos que procurem equilibrar a euforia em torno de Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro.
Com talento artístico e competência empresarial, José Padilha – diretor, produtor e roteirista – e sua equipe realizaram o feito singular de serem bem-sucedidos ao tratar de assunto da atualidade, façanha que situa Tropa de Elite 2 em categoria à parte entre os títulos que integram a lista dos filmes mais vistos do cinema nacional.
Ao contrário do conservadorismo predominante nos subprodutos da televisão e nos filmes de proselitismo espírita, únicas alternativas com bom público até o advento de Tropa de Elite 2, o filme dirigido por José Padilha lota cinemas contrariando preceitos. Além de ser narrado em voz off pelo personagem principal – recurso tido como pouco comercial por supostos entendidos em marketing – o filme invalida a noção de que o público rejeita sua própria realidade quando mostrada na tela, ideia usada muitas vezes como justificativa para fracassos comerciais.
Favorecido pelo acaso de ter estreado no início do segundo turno da eleição presidencial, Tropa de Elite 2 trata de segurança pública e corrupção, temas na ordem do dia. Espectadores-eleitores, cientes da obrigação de votar no final de outubro, parecem ter encontrado no filme a representação da sua descrença na política e nos políticos. Indo ao encontro desse sentimento, Tropa de Elite 2 talvez tenha aberto o caminho do sucesso – antes do exercício compulsório do voto, nada como a pausa que diverte.
O pressuposto que fundamenta o roteiro de Tropa de Elite 2, escrito por José Padilha e Bráulio Mantovani, parece ser o mesmo do livro Elite da Tropa, lançado em 2005. No prefácio, os autores – Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, os dois últimos ex-integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, sendo Pimentel também um dos argumentistas de Tropa de Elite 2 – fazem uma profissão de fé na verdade, inspirada em Nelson Mandela: “É preciso olhar nos olhos a verdade e reconhecê-la, sem meias palavras e subterfúgios, sem hipocrisia e retórica política. Nua e crua. Mesmo que ela seja dolorosa e disforme. Mesmo que a encontremos apenas pelas mediações da ficção.”
A semelhança entre os eventos encenados em Tropa de Elite 2 e diversos fatos de conhecimento público está longe de ser mera coincidência, como afirma a legenda de abertura do filme. Há uma deliberada ironia em informar que se trata de uma obra de ficção passada no “Rio de Janeiro”, nos “dias de hoje”. O sarcasmo leva o espectador a estabelecer logo de início um laço de cumplicidade com o que está vendo. Por outro lado, o destaque dado a essa advertência, delimitando a responsabilidade legal dos produtores, enfraquece de saída qualquer hipotética intenção de Tropa de Elite 2 ter algum poder regenerador.
Além disso, a hipocrisia implícita em definir Tropa de Elite 2 como “obra de ficção” talvez explique a ausência de reação por parte de instituições e categorias profissionais criticadas no filme. Policiais, políticos e ativistas de direitos humanos não parecem sentir nenhuma necessidade de se manifestar. É como se houvesse um acordo tácito estabelecendo que um lado sofisma e o outro finge acreditar. Dizendo que “apesar das possíveis coincidências o filme é uma obra de ficção”, ninguém se sente atingido, esvai-se o caráter crítico de Tropa de Elite 2 e os espectadores, reconfortados, podem voltar satisfeitos para casa.
Situado no domínio do espetáculo ficcional, não cabe cobrar, como foi feito, verossimilhança de cada uma das situações encenadas. Mais relevante é o pragmatismo adotado por José Padilha em nome da eficácia para causar impacto, levando a procedimentos convencionais bem realizados: estrutura narrativa cíclica começando e acabando, fora o epílogo, com um atentado; cenas de violência explícita servindo para justificar o vale-tudo da guerra; música de andamento acelerado parecendo soar de forma ininterrupta; pieguice ao retratar a relação do personagem principal com seu filho; ritmo frenético graças à câmera ágil e inquieta que busca reproduzir o olhar de quem participa da ação; montagem cadenciada privilegiando planos curtos. Em Tropa de Elite 2 não há tempo para contemplar e refletir – o filme transcorre em estado de transe permanente.
O personagem principal, o tenente-coronel Roberto Nascimento, comandante-geral do Bope e depois subsecretário de Inteligência, interpretado de forma memorável por Wagner Moura, agrava sua crise existencial ao descobrir o valor relativo das verdades que, para ele, sempre foram inquestionáveis. Anti-herói calejado por ter enfrentado sucessivas situações-limite, parece estar em rota suicida, confrontando o que ele mesmo chama de “o sistema” – comunidade de interesses envolvendo policiais e políticos corruptos. Em sua missão solitária não há lugar para nuances. Segundo afirma, na Assembleia Legislativa não há nem dez fichas limpas e é preciso acabar com a Polícia Militar do Rio.
Franco-atirador, José Padilha mobiliza valores arraigados de classe média que formam o caldo de cultura de regimes ditatoriais. Basta lembrar uma das primeiras providências de Getúlio Vargas ao implantar o Estado Novo, em 1937 – extinguiu os partidos políticos. Medida idêntica à do governo militar de 1964, que criou dois novos partidos apenas para manter as aparências.
Se as assembleias legislativas e o Congresso Nacional estão contaminados por corrupção e envoltos em criminalidade, como se vê em Tropa de Elite 2, proclamar a falência da atividade política, como faz o filme, estimula a descrença na democracia – regime de governo que assegura o direito de fazer críticas desse gênero.
Mesmo sendo panfletárias, não há por que contestar as ideias de um personagem de ficção. No prefácio de Elite da Tropa, porém, os autores foram mais cautelosos: “Este livro foi escrito com o propósito de enriquecer o processo de reflexão dos policiais e da opinião pública. Seu objetivo não é depreciar os profissionais da segurança, mas valorizá-los; não é atingir as instituições, mas promover seu aperfeiçoamento. Não há democracia sem polícia.” Posição diferente da defendida pelo tenente-coronel Roberto Nascimento. Maniqueísta, a cada passo ele se surpreende diante da complexidade do que está em jogo. À sua visão simplificadora, talvez se deva parte do sucesso do filme.
Seria esperar demais que Tropa de Elite 2 tivesse adotado perspectiva mais próxima àquela dos autores do livro? Nessa hipótese, a empatia do filme talvez fosse afetada. Para evitar esse risco, Tropa de Elite 2 escolheu jogar para a plateia e foi amplamente recompensado.
Marcadores: Tropa de Elite
Tuesday, November 16, 2010
GEEENNTEEE!!!
Advogado do goleiro diz que é viciado em crack há oito anos
O advogado Ércio Quaresma revelou ontem à TV Alterosa - afiliada do SBT em Belo Horizonte - que é viciado em crack há oito anos e que luta contra a droga.
Ele é defensor de Bruno Fernandes de Souza no caso do desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro.
Segundo Quaresma, ele aparece em uma gravação fumando crack. Por isso, resolveu dar a entrevista antes que o vídeo "vazasse".
"Tive uma recaída, e a partir de oito anos pretéritos eu tive um ingresso nesse tenebroso mundo do crack", afirmou.
Ontem, a Folha não conseguiu entrar em contato com o advogado de Bruno.
Marcadores: Ércio Quaresma, goleiro Bruno
Sunday, November 14, 2010
Tutty Vasquez
Comentam os empregados entre si pelos cantos da mansão que a única diversão de Silvio Santos nesses dias de aflição econômica é atender o telefone anunciando-se como Edinaldo, sem disfarçar a própria gargalhada inconfundível: “Hahaai, hihiih…” – todo mundo sabe imitar, daí a pontinha de dúvida que persiste em quem liga sobre quem de fato está lá, do outro lado da linha. Ninguém lesado em R$ 2,5 bilhões tem ânimo sequer para tirar o fone do gancho.
Outra coisa estranha nas atuais circunstâncias: em meio ao drama financeiro de conhecimento público, o apresentador foi pelo menos quatro vezes esta semana ao Jassa, seu cabeleireiro no Itaim Bibi, apontado como a única pessoa capaz de entender a cabeça por trás do Baú.
Não! O rombo do Banco Panamericano não é uma lambança como outra qualquer – nada sob a administração do Silvio é ordinário no sentido de corriqueiro. A imprensa está cortando um dobrado para entender o caso.
O Silvio recorre sempre ao animador gaiato quando é chamado a falar como banqueiro. “Quem é Rafael Palladino?” – quis saber dia desses da jornalista que lhe perguntava pelo diretor-superintendente afastado após a fraude. Como se o cara não fosse, além de lambão, primo de sua mulher, Íris Abravanel. Silvio era uma espécie de primo rico quando deu ao ex-personal trainer, ex-gerente de academia de ginástica e ex-dono de posto de gasolina a chance de fazer desaparecer bilhões do mercado financeiro. Se bem que currículo, no caso do dono do SBT, também não quer dizer nada.
O fato é que os verdadeiros amigos do homem estão preocupados! Quanto tempo vai durar essa alegria do animador de auditório se não houver volta por cima do banqueiro? Não à toa, Hebe Camargo já avisou ao chefe: pode botar no prego todas as joias da apresentadora, caso precise de garantias para novos empréstimos. Pensa que ela não é doida pra isso?
http://blogs.estadao.com.br/tutty/
Marcadores: Banco Panamericano, Silvio Santos, Tutty Vasquez
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