Thursday, December 20, 2007

VI
Os Amantes
A Decisão
The Lover - The Lovers - L'Amoreux

Arquétipo: Amor, a encruzilhada.

Número: 6 = número que sai de si mesmo (ao contrário do 9). Segundo Pitágoras, o primeiro número perfeito; ele é a soma e o produto de suas partes:

1 + 2 + 3 = 6 e 1 X 2 X 3 = 6.

O número da integralidade - os 6 dias da Criação.

O número de Deus no mundo - 2 triângulos resultam num quadrado.

Na natureza, a colméia de abelhas é a estrutura ideal.

Jung: O encontro de duas personalidades é como a mistura de duas substâncias químicas: se uma delas contactar a outra, ambas se modificam.

Hajo Banzhaf - Manual do Tarô.

o1.
Temos de tomar todas as decisões com base em dados insuficientes! E, no entanto, somos responsáveis por tudo o que fazemos. [ Sheldon Kopp ]

o2.
O que leva os homens a trocar uma amante por outra, a ter de usufruir de todos os encantos femininos e a desfrutar de todo tipo de amor para achar que a vida vale a pena? Sua sede insaciável por novas conquistas oculta uma dúvida secreta sobre a própria capacidade de conseguir conquistar inteiramente uma mulher e prendê-la a si. Eles vão pela vida como jovens adolescentes que, com uma parte do seu ser amam a natureza sensual das mulheres e com a outra estão inseguros, sonhando em manter com a mulher dos seus sonhos uma relação de mãe ou irmã. Como a o mesmo tempo conhecem e desconhecem essa contradição, comportam-se diante das mulheres ou como homens seguros de si ou como adolescentes titubeantes. Eles permitem que as mulheres que aceitam esse seu lado fraco, ou as que fingem ignorá-lo, logo se afastem, pois dizem a si mesmos: essas que se comportam maternalmente, por certo temem a batalha dos sexos, e não podem ser levadas a sério. E para as que não apreciam seus modos juvenis, eles representam atitudes viris. Se as mulheres caírem nessa armadilha, se dizem: com criaturas tão tolas não é possível ser feliz. Mas se uma delas não se encantar com suas representações artísticas, nem aceitar de bom grado qualquer indecisão, afastam-se horrorizados de uma criatura tão impiedosa. Mas há ainda uma outra forma de ilusão erótica, que à primeira vista não tem essa aparência. Estou me referindo a uma espécie de exagerada falta de sentimentos e dureza conscientemente exibidas, que correspondem a uma desmedida ambição de ser mais poderoso, forte, perigoso e temido do que qualquer outro homem. Os homens que se escondem por trás dessa posição de vida no recôndito esconderijo de sua alma somente têm um medo terrível de não possuir o verdadeiro segredo da masculinidade. E nisso estão inteiramente certos. Pois falta-lhes a capacidade, a veneração e o delírio de se entregarem à união, como só a graça de Afrodite pode proporcionar a um homem.
Dentre todos estes, contudo, os homens caseiros, que não se envergonham de encarar suas mulheres como mães protetoras, babás compreensivas e enfermeiras eróticas, não devem talvez concluir que sua ligação seja melhor do que a instabilidade daqueles outros.

Phillip Metman, Mythos und Schicksal (Mito e Destino)

Em Manual do Tarô, Origem, Definição e Instruções para o Uso do Tarô - Hajo Banzhaf

Urano, senhor do grande silêncio e da visão em desenvolvimento, senhor dos céus estrelados, antes considerava Gaia (deusa da Terra) como a tranqüila mãe receptiva da bondade, de cujo colo deveria nascer, como um mundo de flores ricamente coloridas, a luz que gotejou lá das alturas estelares. Em vez disso, deu à luz demônios inconcebivelmente selvagens, cuja selvageria ameaçava brutalmente seu poder total, que brilhava em sua meditação imóvel. Então ele mesmo criou a praga do ódio, que é uma maldição do não-querer-ver e arremessou os monstros de volta ao Tártaro. Seu amor enrijeceu-se na convulsão da procriação, até que Cronos (seu filho) - para vingar a mãe - decepou com a foice o órgão repleto de ódio de Urano, no talho perfeito que este fizera no corpo divino e que o próprio Urano não via mais.
O ondulante elemento dos oceanos do mundo, que recebeu o falo decepado do deus, libertou-o de sua rigidez interior e revelou, pela primeira vez, que todo o ódio nada mais é do que o amor severamente reprimido.
Pois da espuma formada pelas ondas surgiu o que havia sido negado em vão: Afrodite. Nas profundezas do oceano ela enterrou os segredos do amor odioso e da fria cobiça, e como Afrógenes, criou por um passe de mágica todas as figuras de névoa e de sonho com a massa balouçante do mar infinito. Suas sedutoras promessas fazem com que os que são seduzidos por ela fiquem continuamente a vagar de amor em amor, sem nunca encontrar o que os atrai. Como a rainha da beleza, desde então ela conduz aqueles buscadores que, como Cronos, não suportam olhar para o reino do ódio profundo e do mais frio desprezo, levando-os a um mundo onírico de soluções amorosas e de indecisões repletas de graça.
Aos homens está reservado o destino de reconciliar Urano com os demônios do trovão que surgiram do seu ato de criação. Ouvir e aceitar na alma o turbilhão estrondoso da sinfonia da vida, a luta das criaturas, a precipitação e a destruição dos organismos em luta, o rugido dos elementos, o nascimento e a dissipação, a ação interminável e o trabalho incessante, a saudade, as surpresas, o medo e o ódio, é a grande realização dos que amam. Este último segredo de Afrodite repousa nas profundezas sombrias das águas que orlam o horizonte. Seus guardiães são os peixes.

Phillip Metman, Mythos und Schicksal (Mito e Destino)

Em Manual do Tarô, Origem, Definição e Instruções para o Uso do Tarô - Hajo Banzhaf

“Não basta gritar: é importante, também, não ter razão”.

Günther Anders, citando Voltaire em conversa com Martin Heidegger e esposa.

“Não basta murmurar: é importante, também, ter razão”.

Günther Anders, por ele mesmo, na mesma conversa e despertando a ira de Heidegger.

No blog do Antonio Cicero

Os limites da diversidade cultural

A Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da UNESCO define a cultura como "o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de conviver, os sistemas de valores, as tradições e as crenças".

Quanto a artes e letras, é claro que tudo o que a humanidade já fez constitui um patrimônio a ser preservado e disponibilizado à fruição da presente e das futuras gerações.

Quanto a modos de vida, maneiras de conviver, sistemas de valores, crenças e tradições, porém, a situação é outra. Alguns são admiráveis e devem ser preservados; outros são abomináveis -etnocêntricos, racistas, sexistas, intolerantes- e devem ser combatidos.

Apropriadamente, o artigo 4 da Declaração Universal sobre Diversidade Cultural, intitulado "Os Direitos Humanos, Garantias da Diversidade Cultural" afirma, com razão, que "a defesa da diversidade cultural [...] implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, em particular os direitos das pessoas que pertencem a minorias e os dos povos autóctones. Ninguém pode invocar a diversidade cultural para violar os direitos humanos garantidos pelo direito internacional, nem para limitar seu alcance".

Infelizmente, porém, desde antropólogos até obscurantistas religiosos têm, em nossos dias, invocado a ideologia do relativismo cultural para justificar todo tipo de violação dos direitos humanos. Segundo eles, tais direitos pertencem à cultura ocidental, onde surgiram, de modo que tentar exportá-los para culturas que não os reconhecem violaria o direito destas à diversidade.

Assim, foi com base no relativismo cultural que neste ano, na Alemanha, uma juíza - citando o Alcorão, que reserva ao homem a prerrogativa de castigar a esposa em certos casos- recusou-se a conceder o direito à antecipação do divórcio a uma mulher que era regularmente surrada pelo marido muçulmano. Ou seja, em nome do direito à diversidade cultural, desrespeitaram-se os direitos humanos dessa mulher.

Ora, os direitos humanos não são um produto da cultura ocidental. Na Europa, o reconhecimento deles foi uma vitória da razão - que só o mais tacanho etnocentrista classificaria de "ocidental" - exatamente sobre as tradições culturais bárbaras do Ocidente medieval.

De todo modo, a menos que seja tomada como uma aplicação particular dos direitos humanos, a Declaração Universal sobre Diversidade Cultural não pode ser levada a sério. Por quê? Porque cada unidade cultural ampla contém ou é capaz de conter minorias, isto é, unidades culturais menores. A proteção da diversidade cultural falhará, a menos que proteja também o direito à diversidade de cada uma dessas unidades menores.

Pois bem, a menor unidade concebível é o indivíduo. Por exemplo, um único judeu - ou ateu, ou budista - que viva entre evangélicos constitui uma unidade cultural minoritária. Embora, portanto, a declaração em questão tenha em vista proteger a diversidade cultural de unidades culturais maiores do que a de um indivíduo, essa proteção será em última análise deficiente, a menos que se estenda ao indivíduo; e este é o sujeito dos direitos humanos. Portanto, para ser consistente, o direito à diversidade cultural tem que ser pensado como um direito humano: o direito de cada indivíduo humano à diversidade.

Esse direito me traz de volta à definição de cultura da UNESCO. Eu disse que tudo o que já se fez em matéria de artes e letras constitui um patrimônio a ser preservado e disponibilizado à apreciação da presente e das futuras gerações. No entanto, é preciso não esquecer que tudo o que já se fez, conquanto importante, é apenas um conjunto de possibilidades que se realizaram. Há, porém, infinitas outras possibilidades a se realizarem, algumas das quais só se manifestam historicamente, a partir do desenvolvimento tecnológico. O direito à diversidade cultural tem que ser, portanto, o direito à experimentação e ousadia em arte, filosofia, ciência, tecnologia etc.

E aqui penso que é preciso ir além e afirmar que o direito à diversidade cultural, estendido até o indivíduo e tendo como fundamento último e intransponível os direitos humanos, deve garantir a liberdade de experimentação também no que diz respeito a novos - para usar as palavras da mesma definição - modos de vida, maneiras de conviver, sistemas de valores e maneiras de lidar com as tradições e as crenças.

Antonio Cicero

Wednesday, December 19, 2007

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um

Bibliografia

ww.tarot.com

Hajo Banzhaf - Manual do Tarô - Origem, Definição e Instruções para o Uso do Tarô.

16/12 - A Lua

Arquétipo: A noite, a escuridão.

17/12 - O Enforcado

Arquétipo: A prisão.

18/12 - A Morte

Arquétipo: A morte.

19/12 - O Carro

Arquétipo: A partida do herói.




Near Future: Ace of Coins

A mão envolta em raios do Criador segura uma moeda. Sob ela crescem lírios numa planície, símbolos da pureza espiritual. No prado, um caminho dourado conduz a um portal no roseiral, cujo pano de fundo é constituído por montanhas. Este é o caminho dourado do conhecimento superior.
Como em cada série, o ás representa uma chance que nos é apresentada e que devemos aproveitar. Trata-se aqui, por certo, da oportunidade de "criar a própria felicidade", no sentido de uma vantagem financeira, mas também de reconhecer o significado mais profundo da riqueza interior. A primeira chance é um aspecto parcial da Roda da Fortuna (X), a última leva-nos de encontro à descoberta do significado do Grande Sacerdote (V).

Interpretação tradicional: A grande sorte (no amor e nas finanças); recompensa, grande alegria, harmonia, saúde, fecundidade.

Carta invertida: O lado mau do dinheiro; pobreza espiritual.

Advice: The Hanged Man

Síntese: O número 12 representa o fim de um ciclo que, se tiver de continuar, começará de novo com o número 1. Morte sacrificial e ressurreição são as estações arquetípicas nesta fronteira.
O sacrifício, o auto-sacrifício, o sacrifício de objetivos, de presunções, de opiniões e até mesmo do valor pessoal são os temas que pertencem à carta do Enforcado. Ficar preso, ficar num aperto, sentir-se impotente, estar condenado à inatividade, são por certo as experiências mais freqüentes vividas neste inter-relacionamento. É como se, de modo inesperado, o destino dissesse "xeque-mate". E então é preciso abandonar toda a estratégia tão bem pensada a fim de escapar a esse xeque. O denominador comum desses obstáculos é que eles não são de fato ameaçadores, mas na verdade incômodos; às vezes nem se toma logo conhecimento deles, mas depois mostram uma teimosia que nunca poderíamos supor possível. Só se deixam vencer quando aprendemos a lição que lhes é inerente. Esta, por sua vez, é de surpreendente profundidade.
Como última carta no ciclo de doze, O Enforcado representa a prova, que tem de ser cumprida antes que novo ciclo se inicie. Ao mesmo tempo, renuncia-se a hábitos desenvolvidos com o correr do tempo, a pontos de vista e a outras coisas mais, substituindo-os pela disposição de abrir-se às experiências do próximo ciclo. É diferente daquilo que acontece com a carta seguinte, A Morte (XIII), em que nos é tirado algo pessoalmente importante. Contudo, é através desse estado, que consideramos muitas vezes insuportável e que perdura até estarmos dispostos a adotar novos pontos de vista, que vem a iluminação.
Portanto, esta carta também simboliza os ritos iniciáticos e as provas pelas quais passam os futuros adeptos. Como, entretanto, eles procuram conscientemente este estado, a figura de Waite está pendurada pela perna direita (o lado consciente).

Situation: The Star

Síntese: Os diferentes símbolos desta carta indicam uma organização superior à qual estamos sujeitos. Desde a antigüidade, os homens tentaram interpretar estes símbolos a fim de obter uma visão mais profunda do significado do nosso destino e do nosso futuro. Sabedoria, futuro, confiança e esperança são os temas que surgem neste âmbito. Há milhares de anos os astrólogos vêm se ocupando com as estrelas. As 7 estrelas ao redor de uma principal simbolizam as 7 pitonisas de Ísis. O pássaro Íbis, que lembra a foice da Lua, com seu bico redondo, é a ave do deus Thoth, a divindade egípcia da sabedoria. Tentava-se ler a mensagem dos deuses no vôo dos pássaros.
O próprio Waite chama de Binah a figura representada na carta. Na árvore cabalística da vida, Binah representa o princípio da inteligência superior.
Ao deitar as cartas, o lugar em que esta aparece representa um âmbito em que o consulente tem grandes esperanças e que, em suas ações, tem um "futuro". Ao mesmo tempo, ela estimula a depositar confiança no próprio futuro e, portanto, a confiar na sabedoria da previsão.
Tradicionalmente, esta carta é vista como uma carta de proteção, isto é, o lugar onde ela cai está sob uma boa estrela. O fato de a previsão cuidar de nós de uma forma mais do que suficiente é simbolizado pela jarra da qual é derramada a água. Ao cair sobre a terra, esta a torna fértil. A água derramada sobre água mostra o excesso e a plenitude da energia que jorra do céu infinito para nós.

Experiência cotidiana: Épocas de grande esperança, de otimismo na vida e de confiança no futuro. Atividades já iniciadas têm grande significado para o mundo. Encontros, novas amizades e relacionamentos estão sob uma boa estrela. Também as experiências pelas quais se compreende a grandiosa sabedoria das leis cósmicas.

Dois de Bastões

O homem com a esfera do mundo na mão está entre dois bastões na ameia de um castelo e olha para um rio. Perto dele, da Cruz de Santo André crescem duas rosas (discreção e beleza) e dois lírios (pureza espiritual). Segundo Waite, a figura lembra a solidão de Alexandre Magno. Dele diz a lenda que, depois que conquistou todo o mundo, chorou, por não saber o que fazer da vida depois disso. Logo depois, morreu. A pessoa da carta também tem dificuldade para se entrosar em algo. Se os dois bastões representarem a tensão, então ele já se decidiu por um dos lados, na medida em que procura segurá-lo; mas tanto antes como depois, ele está exatamente no ponto neutro, na tensão nula. A necessidade de se decidir por um lado e de se engajar torna a carta aparentada com a Decisão (VI).

Interpretação tradicional: Brigas, debates, desentendimentos.

Carta invertida: A vontade de perder alguma coisa.

Interpretação Waite: Perspectivas surpreendentes; fazer novas experiência; espanto.