Sunday, December 21, 2008

[...] sempre serei como uma criança para tantas coisas, mas uma dessas crianças que desde o início levam, consigo, o adulto, de modo que quando o monstrinho chega verdadeiramente à idade adulta ocorre que, por sua vez, esse leva consigo a criança, e no meio do caminho se dá uma coexistência poucas vezes pacífica de pelo menos duas aberturas do mundo. Isso [...] aponta, em todo caso, para um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta, e essa justaposição [...] manifesta-se no sentimento de não estar completamente em qualquer das estruturas, das teias que a vida arma e nas quais somos, ao mesmo tempo, aranha e mosca.

Julio Cortázar - Del sentimiento de no estar del todo - La vuelta al día en ochenta mundos.

Citado por Jorge Larrosa em Pedagogia Profana.

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