Tentativa: um dos "objetivos" iniciais deste Leituras era a prestação de serviços. Vou tentar:
Paulo Leminski escreveu Jesus A.C.
Se conseguir me disciplinar vou publicá-lo, na íntegra, em capítulos semanais (?).
#1
CONTRA CAPA
Mal-aventurados os que se rendem às verdades absolutas sobre Jesus. Se foi reformador ou revolucionário, fariseu dissidente ou profeta iluminado, nada disso nos contam os Evangelhos.
Jesus sabia se esconder bem entre as muralhas e as palavras. Indiscutível apenas é que sua doutrina tomou o poder no Império Romano sem levantar uma espada. Entender suas parábolas é mergulhar num emaranhado de significados que se multiplicam como os peixes do milagre evangélico. Peixes, símbolo de subversão da ordem vigente.
Ler Jesus é caminhar sobre as águas incertas, que vêm com força e quebram em ondas de interpretações. Nas praias, porém, só existe a certeza de que ele era um superpoeta.
Índice
— Carta de Intenções
— O profeta em sua terra
Capítulo 1
Nem só de pão
Capítulo 2
A voz gritando no deserto
Capítulo 3
Capítulo zero, versículo um
Capítulo 4
A escritura crística
Capítulo 5
Quanto custa Jesus
Capítulo 6
Jesus macho e fêmea
Capítulo 7
Jesus jacobino
Capítulo 8
O que foi feito de Jesus
Parabolário
Sobre Jesus
Naquele tempo
Para Domingos Pellegrini, que, de
repente, apareceu falando de.
Para Alice Ruiz que, através de Francisco,
o ama.
Para Paulo César Bottas, amigo dele.
Este livro é dirigido por vários propósitos.
Entre os principais, primeiro, apresentar uma semelhança o mais humana possível desse Jesus, em torno de quem tantas lendas se acumularam, floresta de mitos que impede de ver a árvore.
Outra, a de ler o signo-Jesus como o de um sub-versor da ordem vigente, negador do elenco dos valores de sua época e proponente de uma utopia.
Outra ainda, seria a intenção de revelar o poeta que Jesus, profeta, era, através de uma leitura lírica de tantas passagens que uma tradição duas vezes milenar transformou em platitudes e lugares-comuns.
JERUSALÉM, URGENTE — Na tarde de ontem, alguém que atende pelo nome de Jesus invadiu as dependências do Templo, agredindo e expulsando toda a casta de vendedores que ali exercia seu ofício.
O lunático, galileu pelo sotaque, entrou, subitamente, chutando as mesas dos mercadores de pombas e outros animais destinados ao sacrifício. Na confusão que se seguiu ao incidente, entre as moedas que rolavam pelas escadas, gaiolas quebradas, pombas que voavam, acorreram os guardas, que não conseguiram deitar as mãos no facínora.
O tal Jesus desapareceu no meio da multidão, que o acoberta, porque nele acredita ver um profeta. A reportagem apurou que o referido é natural de Nazaré, na Galiléia, filho de um carpinteiro.
Arrebanhou inúmeros seguidores entre os pescadores do Mar da Galiléia. Dizem que opera milagres. E descende, por linha direta, do rei Davi.
Entre os seus, fala aramaico, dominando, porém, o hebraico dos textos sagrados, que cita com frequência, chegando mesmo a discutir com os doutores da lei, fariseus e saduceus. Muitos vêem nele o Messias. As autoridades estão prontas para fazer frente a qualquer nova alteração da ordem provocada pelo tal Jesus ou por seus seguidores.
repente, apareceu falando de.
Para Alice Ruiz que, através de Francisco,
o ama.
Para Paulo César Bottas, amigo dele.
CARTA DE INTENÇÕES
Este livro é dirigido por vários propósitos.
Entre os principais, primeiro, apresentar uma semelhança o mais humana possível desse Jesus, em torno de quem tantas lendas se acumularam, floresta de mitos que impede de ver a árvore.
Outra, a de ler o signo-Jesus como o de um sub-versor da ordem vigente, negador do elenco dos valores de sua época e proponente de uma utopia.
Outra ainda, seria a intenção de revelar o poeta que Jesus, profeta, era, através de uma leitura lírica de tantas passagens que uma tradição duas vezes milenar transformou em platitudes e lugares-comuns.
O PROFETA EM SUA TERRA
JERUSALÉM, URGENTE — Na tarde de ontem, alguém que atende pelo nome de Jesus invadiu as dependências do Templo, agredindo e expulsando toda a casta de vendedores que ali exercia seu ofício.
O lunático, galileu pelo sotaque, entrou, subitamente, chutando as mesas dos mercadores de pombas e outros animais destinados ao sacrifício. Na confusão que se seguiu ao incidente, entre as moedas que rolavam pelas escadas, gaiolas quebradas, pombas que voavam, acorreram os guardas, que não conseguiram deitar as mãos no facínora.
O tal Jesus desapareceu no meio da multidão, que o acoberta, porque nele acredita ver um profeta. A reportagem apurou que o referido é natural de Nazaré, na Galiléia, filho de um carpinteiro.
Arrebanhou inúmeros seguidores entre os pescadores do Mar da Galiléia. Dizem que opera milagres. E descende, por linha direta, do rei Davi.
Entre os seus, fala aramaico, dominando, porém, o hebraico dos textos sagrados, que cita com frequência, chegando mesmo a discutir com os doutores da lei, fariseus e saduceus. Muitos vêem nele o Messias. As autoridades estão prontas para fazer frente a qualquer nova alteração da ordem provocada pelo tal Jesus ou por seus seguidores.



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