Acadêmico renuncia por laços com líder líbio
Agências internacionais
O diretor da London School of Economics and Political Science (LSE), uma das escolas superiores de maior prestígio do mundo, Howard Davies, renunciou ontem por causa de suas ligações com a família do ditador líbio, Muamar Gadafi.
A instituição anunciou a criação de uma comissão para investigar a doação acertada em 2009 de o equivalente a US$ 2,4 milhões (ou 1,5 milhão de libras) de uma entidade dirigida pelo filho de Gadafi, Saif al-Islam, para a escola. Além disso, quer rever o pagamento de US$ 50 mil que o governo líbio fez ao próprio Davies por uma consultoria que ele prestou para o governo sobre fundo soberano líbio. A comissão também quer averiguar a "autenticidade acadêmica" da tese de doutorado que Saif apresentou à LSE em 2008 e sobre a qual recaem suspeitas de plágio.
"Em resumo, eu sou responsável pela reputação da escola e esta foi atingida", disse Davies. "Eu disse ao conselho que seria responsável aceitarmos o dinheiro, o que acabou se revelando um erro. Havia riscos envolvidos em receber recursos de fontes associadas à Líbia e isso deveria ter sido avaliado de uma forma muito melhor."
Do total doado pela entidade do filho do ditador, a LSE disse que já recebeu 300 mil libras e que estuda reservar um valor equivalente em prol da comunidade acadêmica - uma das hipóteses seria reverter o valor em bolsas de estudo para jovens líbios.
Antes da onda de protestos contra o regime de Gadafi, Saif projetava uma imagem de uma personalidade reformista, que poderia ajudar o país a construir um ambiente político mais aberto. Na LSE, o título de sua tese foi "O papel da sociedade civil na democratização das instituições de governança global". Mas durante a crise política e as manifestações pela queda do ditador, ele se tornou no principal porta-voz do governo comandado por seus pai há quatro décadas.
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