Sunday, January 15, 2012

Irreconciliáveis

No início, Paul pretendia apenas processar Allen Klein. Mas o conselho de seus advogados foi de que, quando John, George e Ringo haviam contratado Klein contra a vontade de Paul, eles romperam o acordo de parceria como Beatles & Co. em abril de 1967, e que a melhor maneira de ele se proteger contra Klein no futuro seria encerrar juridicamente a sociedade. Como os outros três se opunham à ideia, não lhe restava outra saída senão processar a todos, assim como a Apple Corps, que possuía 80% da parceria.

O caso começou a ser julgado na Suprema Corte em 31 de dezembro de 1970, enquanto John ainda estava em Nova York. O advogado de Paul requereu a dissolução de Beatles & Co., solicitando a realização de uma contabilidade imparcial dos negócios e a indicação de um curador, ou árbitro financeiro independente, para supervisionar suas finanças a partir de então. O juiz, Edward Blanchard Stamp, recebera a informação de que a contabilidade da parceria havia sido "lamentável"; que apesar de uma renda entre 4 e 5 milhões de libras por ano, era possível que não houvesse condições de saldar débitos do imposto de renda e outras taxas; e, por fim, que Klein vinha pagando a si mesmo comissões às quais não tinha direito*.




[...] Depois de uma audiência de onze dias, o juiz Stamp propôs a nomeação de um curador que combinaria os papéis de gerente e síndico e por sua vez indicaria subgerentes - entre os quais Klein - para administrar os interesses financeiros dos Beatles e de Paul como entidades separadas. Como nenhuma das partes aceitou tal proposta, em 12 de março o juiz nomeou Douglas Spooner, sócio de uma firma de contabilidade da City de Londres, como "síndico e gerente de interesses comerciais do grupo, dependente do julgamento da ação principal".

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*Mesmo concluindo que a situação financeira deles era "confusa, incerta e inconclusiva", Stamp não encontrou indícios de que Klein tivesse colocado ou fosse colocar dinheiro da sociedade em seu bolso.

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