"Linha de Passe" é um drama psicológico. Tudo se dá em torno dos conflitos subjetivos dos personagens, uma família onde todos estão deprimidos. A pia da cozinha que a mãe tenta em vão desentupir é a metáfora do momento de engasgo em que os cinco se encontram: eles estão a poucos centímetros de várias linhas divisórias, eles estão no limite. No filme, São Paulo passa quatro meses nublada. A fotografia capta um mundo pardacento, à exceção dos apartamentos de classe média alta. Não estão apenas justapostos o sofrimento daquelas pessoas e o cenário de vias expressas encardidas de fuligem e casas sem acabamento da periferia. Ainda que os problemas da família de Cleusa sejam de alma e não tenham qualquer ligação direta com sua condição social, o filme induz a que se associe uma coisa como causa da outra. Difícil, ao final, não concluir: 'como são tristes os pobres'. É equivocado e demagógico, mas é tudo que "Linha de Passe" tem a oferecer.



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