Wednesday, December 31, 2025

Zinco (II)

Caselli me entregou o zinco, voltei à bancada e me concentrei no trabalho: me sentia curioso, "embaraçado" e vagamente chateado, como quando você tem treze anos e precisa ir ao Templo recitar em hebraico a oração do bar mitzvah diante do rabino; chegara o momento esperado e um tanto temido. Tinha soado a hora do encontro com a Matéria, a grande antagonista do Espírito: a 'Hyle', que curiosamente se encontra embalsamada nas desinências dos radicais alquílicos: metil, butil etc.

A outra matéria-prima, o parceiro do zinco, ou seja, o ácido sulfúrico, não precisava ser entregue por Caselli: havia em abundância em todos os cantos. Concentrado, é claro: era preciso diluí-lo em água; mas, atenção, está escrito em todos os tratados que se deve despejar o ácido na água, e não o contrário, senão aquele óleo de aspecto tão inócuo pode sucumbir a cóleras furiosas, coisa que até os alunos do Ensino Médio sabem. Só depois se coloca o zinco no ácido diluído.

Na apostila estava escrito um detalhe que me escapara a uma primeira leitura, qual seja, que o tão terno e delicado zinco, tão solícito diante dos ácidos, que o devoram numa só bocada, comporta-se de modo bastante diverso quando se encontra em estado muito puro: nesse caso, ele resiste obstinadamente ao ataque. Disso se poderiam extrair duas consequências filosóficas contrastantes entre si: o elogio da pureza, que protege do mal como uma couraça, e o elogio da impureza, que dá acesso às transformações, ou seja, à vida. Descartei a primeira, intragavelmente moralista, e me detive na consideração da segunda, que me era mais congenial. Para que a roda gire, para que a vida viva, há de haver impurezas, e as impurezas das impurezas — inclusive nas terras, como se sabe, para que sejam férteis. É preciso o dissenso, o diverso, o grão de sal e de mostarda: o fascismo não os aceita, os proíbe, e por isso você não é um fascista; querem todos iguais, e você não é igual. Mas tampouco a virtude imaculada existe, ou se existe, é detestável. Então pegue a solução de sulfato de cobre que está na prateleira dos reagentes, acrescente uma gota dela a seu ácido sulfúrico e note que a reação tem início: o zinco desperta, se recobre de uma branca pelagem de bolhinhas de hidrogênio, e aí está, a mágica aconteceu, você pode abandoná-la a seu destino e dar um passeio pelo laboratório para ver o que há de novo e o que os outros estão fazendo.

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A Tabela Periódica. Zinco. © 1975, Primo Levi. Tradução: Maurício Santa Dias. Companhia das Letras, 2025.

Imagem: Primo Levi. Getty Images.

Tuesday, December 30, 2025

Zinco

Caselli adorava P. com um amor acre e controverso. Parece que foi fiel a ele por quarenta anos; era sua sombra, sua encarnação terrena e, como todos os que exerciam funções vicárias, era um exemplar humano interessante: quero dizer, como aqueles que representam a Autoridade sem propriamente possuí-la, como por exemplo os sacristãos, os guias de museu, os bedéis, os enfermeiros, os "jovens" dos advogados e tabeliões, os representantes de comércio. Estes, em maior ou menor medida, tendem a transfundir a substância humana de seus Superiores à sua própria figura, como ocorre com os cristais pseudomorfos: às vezes sofrem com isso, frequentemente sentem prazer, e possuem dois esquemas de comportamento distintos, a depender se agem por conta própria ou "no exercício de suas funções". Ocorre muitas vezes que a personalidade do Superior os invada tão profundamente, a ponto de perturbar seus contatos humanos corriqueiros, e que por isso permaneçam celibatários: de fato, o celibato é prescrito e aceito na condição monástica, que implica justamente a proximidade e a subserviência à maior das autoridades. Caselli era um homem modesto, taciturno, em cujos olhares tristes mas orgulhosos se podia ler:

— Ele é um grande cientista, e como seu "famulus" também sou um pouco grande;

— eu, apesar de humilde, sei coisas que ele não sabe;

— o conheço melhor que ele a si mesmo, prevejo seus atos;

— tenho poder sobre ele, o defendo e o protejo;

— posso falar mal dele, porque o amo: vocês não têm esse direito;

— seus princípios são justos, mas ele os aplica com displicência, e "antigamente não era assim". Se não fosse por mim...

... e de fato Caselli geria o Instituto com parcimônia e misoneísmo até superiores aos do próprio P.

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A Tabela Periódica. Zinco. © 1975, Primo Levi. Tradução: Maurício Santa Dias. Companhia das Letras, 2025.

Imagem: Primo Levi em 1980. Marcello Mencarini/Leemage

Saturday, December 27, 2025

Fotos inéditas de filhos de Augusto Malta revelam o Rio de 1937 a 1945

Fotos inéditas de filhos de Augusto Malta revelam o Rio de 1937 a 1945 e a demolição de 500 prédios para abrir a Av. Presidente Vargas

Conjunto de álbuns fotográficos redescobertos no Arquivo Geral da Cidade do Rio reúne imagens raras da capital entre 1937 e 1945 — período de profundas transformações urbanas que culminaram na abertura da principal avenida do Centro.

Por Larissa Schmidt, RJ2 27/12/2025

Um conjunto de álbuns fotográficos inéditos redescobertos no Arquivo Geral da Cidade do Rio revela imagens raras da capital entre 1937 e 1945 — período de profundas transformações urbanas que culminaram na abertura da Avenida Presidente Vargas.

As cerca de 14 mil fotografias, organizadas em 11 álbuns, mostram bairros, construções e modos de vida que desapareceram para dar lugar à maior via do Centro do Rio.

O material foi encontrado durante o trabalho contínuo de catalogação do acervo do Arquivo Geral, que reúne cerca de 4 milhões de itens identificados, além de outros milhões de documentos, fotos e registros ainda em processo de organização.

Segundo pesquisadores, os álbuns estavam guardados no fundo de um baú e representam um dos achados mais relevantes dos últimos anos.

As imagens retratam diferentes regiões da cidade, como Tijuca, Pavuna, Madureira e o Centro Histórico, incluindo a Praça 15.

Em muitos casos, revelam cenas pouco documentadas até então, como o interior de vilas operárias, trabalhadores em ação e aspectos do cotidiano de áreas que deixaram de existir.

"Não há tantos registros cronográficos oficiais do Rio nesse período. Essas imagens acabam revelando uma cidade até então desconhecida, mostrando tanto o que foi destruído quanto as novas construções", explica o presidente do Arquivo Geral da Cidade, Elizeu Santiago.

Entre os registros mais impactantes estão as fotografias da abertura da Avenida Presidente Vargas, iniciada nos anos 1940. Para a obra, mais de 500 prédios foram demolidos, incluindo igrejas, escolas, casarões e centros de caridade.

A transformação urbana se concentrou principalmente no trecho entre a antiga Praça 11 e a Candelária.

A Igreja da Candelária foi preservada após forte pressão popular.

Outras construções históricas, no entanto, não tiveram o mesmo destino, como a Igreja de São Pedro dos Clérigos, considerada uma joia do barroco carioca e que possuía interior talhado por Mestre Valentim.

As fotos também documentam o processo de demolição e construção, com destaque para a força de trabalho envolvida.

Operários aparecem no alto de edifícios, usando picaretas, martelos e até dinamite — tecnologias da época que ajudaram a redesenhar o Centro do Rio.

A reforma que deu origem à Avenida Presidente Vargas coincidiu com o período da Segunda Guerra Mundial e com o esforço de guerra global — um contraste que, segundo pesquisadores, reforça o caráter monumental da obra.

Fotos dos filhos de Augusto Malta

A autoria das imagens é atribuída principalmente a Aristóteles Malta e Uriel Malta, filhos de Augusto Malta, o primeiro fotógrafo oficial da cidade, cargo criado no início do século 20 durante a gestão Pereira Passos. Em parte das fotos, há assinatura ou identificação direta dos fotógrafos; em outras, a atribuição é feita por padrões técnicos e históricos.

Algumas imagens se destacam pela composição e pela força simbólica, como a de um trabalhador ao lado de um trator, com a Central do Brasil ao fundo, ou a de um homem observando as ruínas de uma área recém-demolida.

Para pesquisadores, os registros vão além do valor documental e ajudam a refletir sobre o impacto humano das grandes obras.

"A gente admira essas imagens hoje, mas é impossível não pensar como foi viver aquela transformação. Era a vida das pessoas que estava indo embora", avaliam.

Fim da Praça Onze

A abertura da Presidente Vargas também significou o desaparecimento da Praça Onze, um dos principais redutos culturais do Rio no início do século 20, marcada pela diversidade étnica, religiosa e cultural.

Foi ali que surgiram manifestações fundamentais da cultura carioca, como o samba e os primeiros desfiles de escolas de samba.

Com a demolição da área, muitos moradores — especialmente os que não eram proprietários — precisaram buscar novas moradias, o que contribuiu para o adensamento de comunidades em morros da cidade.

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Friday, December 26, 2025

26 de dezembro de 2016

RESSACA

Sabe por que 88% dos brasileiros acreditam que o "sucesso financeiro" vem de Deus? Porque nessa pironga desse país a gente não tem INSTITUIÇÕES. Aqui é cada um por si desde 1500 e depois de 13 anos falando em "política pública" a gente se iludiu achando que o paradigma tinha mudado. Não deu nem pro começo, Jão! Sabe essa festa da uva que virou o governo federal, onde manda quem pode, obedece quem tem juízo? É o cotidiano de qualquer pessoa que more afastada do Centro — esse lugar onde cê mora e que tem água, energia, varrição, luz no poste, asfalto, calçada, esgoto, alvará pra construir... Na perifa, fio, nos sertões, bem diferente do centro, presença do Estado, aquela que não falta mesmo, é, antes de mais nada, polícia. Pra fazer com bala de verdade o que eles andam fazendo com os nossos filhos nas passeatas — aqui no centro. O camarada que tem que sobreviver na jungle áspera, dura e forte, como dizia o Dante Alighieri já nasce sabendo que é na unha. Daí vai a gente que tem água, energia, varrição, luz no poste, asfalto, calçada, esgoto, alvará pra construir e PM gente fina comendo pão com manteiga na faixa na padaria do bairro, e diz que os caras da pesquisa são ignorantes. O cristianismo, aquele de 2000 anos atrás, inovou ao dizer que o ser humano resolve suas paradas falando diretamente com Deus, sem intermediários. É a invenção do individualismo no Ocidente. Vai dizer que cê não tinha percebido? A revolução a comunista é o oposto do individualismo. É a ideia da ação coletiva resultante dos embates sistêmicos do capitalismo. É proposta tão completamente mundana que incluiu sem nenhuma necessidade, diga-se de passagem o ateísmo em seu "corpus" ideológico. Somente figuras ambivalentes que nem o Frei Betto pra insistir nessa conversinha mole de que Jesus de Nazaré foi o primeiro comunista. Que a "solidariedade" cristã é o mesmo que o "igualitarismo" comunista. A mensagem do Cristo é coisa que se presentifica dentro de cada pessoa. Eu com o outro, eu com Deus. No limite, o cristianismo é antipolítico. O comunismo é radicalmente político. Eu perante a História. Que os dois sejam igualmente e insuperavelmente utópicos é outra discussão. O fato é que um é aqui e outro é no Céu. Um no tempo, outro na eternidade. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Assuma os seus B.O.s, sendo cristão, ou "de esquerda". Ou os dois. Mas não confunda. Enquanto isso, os brasileiros que creditam a si próprios e a Deus o seu sucesso, ou insucesso, veja bem, não têm nada de burros, ou manipulados. Instituição, no Brasil, é que é miragem. Instituições frágeis são o mecanismo clássico de manter o atraso. Nos países atrasados o bem público existe, mas é o mesmo que privilégio. Pegaria super bem se nós, os que ocupamos socialmente o lugar que tem água, energia, varrição, luz no poste, asfalto, calçada, esgoto, alvará pra construir, polícia, saúde, educação, ou seja, benefícios do ESTADO, portanto, PRIVILÉGIOS, largássemos o nosso farisaísmo de exigir dos outros o impossível e, com isso, deixasse de esconder da gente mesmo que a rapaziada tá correndo atrás de ter direitos sem esperar nada da gente. E, vendo bem, estão pra lá de certos... Cada um por si e Deus por todos.

Tuesday, December 23, 2025

Havertà

"Havertà" é palavra hebraica deturpada, tanto na forma quanto no sentido, e cheia de significados. Mais propriamente, é uma forma feminina arbitrária de Havèr = Companheiro, e vale por "doméstica", mas contém a ideia acessória de mulher de baixa extração, de crenças e costumes diferentes, que temos de abrigar sob nosso teto; a havertà é tendencialmente pouco asseada e, por definição, maliciosamente curiosa sobre os hábitos e as conversas dos donos da casa, a ponto de obrigá-los a recorrer em sua presença a um jargão particular, do qual decerto faz parte o próprio termo "havertà", além dos outros citados acima. Hoje esse jargão quase desapareceu; duas gerações atrás, ele ainda tinha algumas centenas de vocábulos e locuções, consistentes sobretudo em raízes hebraicas com desinências e flexões piemontesas. Um exame ainda que sumário revela sua função dissimuladora e subterrânea, de linguagem maliciosa destinada a ser empregada ao se falar dos gôjím e na presença de gôjím; ou ainda para responder ousadamente, com injúrias e maldições incompreensíveis, ao regime de clausura e de opressão instaurado por eles.

Seu interesse histórico é escasso, porque nunca foi falado por mais de alguns milhares de pessoas: mas seu interesse humano é enorme, assim como o de todas as linguagens de fronteira e de transição. De fato, ele contém uma admirável força cômica, que decorre do contraste entre o tecido do discurso, que é o dialeto piemontês áspero, sóbrio e lacônico, jamais escrito senão por milagre, e o enxerto hebraico, extraído da remota língua dos pais, sagrada e solene, geológica, polida durante milênios como o leito das geleiras. Mas tal contraste reflete outro, aquele essencial do judaísmo da Diáspora, disperso entre "os gentios" (isto é, os gôjím), estendido entre a vocação divina e a miséria cotidiana do exílio, e outro ainda, bem mais geral, inerente à condição humana, já que o homem é centauro, um emaranhado de carne e pensamento, de sopro divino e pó. Depois da dispersão, o povo judaico viveu longa e dolorosamente esse conflito e dele tirou, além de sua sabedoria, o sorriso que com efeito falta na Bíblia e nos Profetas. O iídiche é impregnado dele, e, em seus modestos limites, o era também a fala bizarra de nossos pais nesta terra, que aqui pretendo recordar antes que desapareça: fala cética e bem-humorada, que apenas em um exame distraído poderia parecer blasfema, ao passo que é, ao contrário, rica de uma intimidade afetuosa e respeitosa com Deus, Nôssgnôr, Adonai Eloénô, Cadòss Barôkhú.

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A Tabela Periódica. © 1975, Primo Levi. Tradução de: Maurício Santana Dias. Cia das Letras, 2025.

Imagem: Orizzontale Verticale. © 1978, Giorgio Griffa. LaM - Lille Métropole Musée d'art moderne, d'art contemporain et d'art brut.

Wednesday, December 17, 2025

17 de dezembro de 2020

 Se a gente conseguir sair por uns minutos da chave 'é preciso combater o Bolsonaro sem tréguas', está cada vez mais claro q seremos todos vacinados em algum momento em médio prazo.

Isto posto, é absolutamente indispensável continuar a combater o Bolsonaro; o pouco q avançamos até aqui desde o cataclisma de 2016 é resultado direto da diuturna resistência q aos trancos e barrancos o campo democrático e popular tem conseguido bancar.

A atitude do Bolsonaro durante a pandemia é genocida, não menos q isso, e exige ser enfrentada sem tréguas.

A vacina, porém, já é uma realidade. Assim como foi o auxílio emergencial. Personagens menos estúpidos q o Bolsonaro têm sabido tirar melhor proveito pessoal do caos instaurado no país. Oferecem o mínimo para capitalizar os resultados ao máximo. 'Cases de sucesso' mais bem acabados: Dória, Covas e Rodrigo Maia. Por isso não ficaremos sem vacinar.

Vai demorar mais q na Europa? Sem dúvida. Vai ser tudo meio bagunçado? ¡Por supuesto! O bloco de Esquerda vai ter q fazer das tripas coração para barrar a voracidade das bancadas do apocalipse no Congresso e conseguir avanços provisórios? Sim. Porque essa é a regra do jogo.

A partir da Constituição de 1988 havíamos presenciado progressos inegáveis. A universalização da oferta de vagas na Educação Básica, por exemplo. O SUS como referência mundial no combate ao HIV. A saída do Mapa da Fome. Mas o pano de fundo permanecera um lugar inóspito, moldado a partir de matrizes racistas, com pouca oferta de trabalho digno, violência descontrolada, escola, saúde e moradia de baixa qualidade, concentração de riqueza...

O Silvio Almeida disse, lá no começo do ano: 'a pandemia encontra o Brasil como ele é'. Ou seja, não há outro Brasil para onde possamos fugir até q as coisas melhorem.

Esta sabedoria do professor Silvio Almeida não por acaso vem de um homem negro.

As populações de baixa renda - quase 90% dos brasileiros - conhecem muito bem o q é viver à margem do Estado. O q é se equilibrar entre depender das instituições públicas e ter certeza de q em 100% dos casos vão ocupar os últimos lugares da fila.

A experiência de ser obrigado a aguardar o governo para se cuidar e a constatação de q não se dispõe de qualquer controle sobre como, quando e onde vai haver acesso ao cuidado está deixando o segmento branco e escolarizado da população em sobressalto. Tem um quê de inédito, para essas pessoas.

Faz lembrar os versos de 'Haiti', composição em parceria de Gilberto Gil e Caetano Veloso:

(...) "são quase todos pretos... ou quase pretos... ou quase brancos...

Quase pretos de tão pobres

E pobres são como podres

E todos sabem como se tratam os pretos"

As classes médias escolarizadas do Brasil - e a escolarização é o mais determinante marcador social entre nós - têm as benesses do Estado a seu favor desde que passaram a existir, nos tempos de Getúlio Vargas. Moradia, planejamento urbano, transporte, trabalho, escola, segurança, saneamento, água, luz, comida, saúde, lazer...

Durante a pandemia fomos os mais preservados. Por termos acesso a toda aquela lista de privilégios q o Estado nos garante há quase um século.

No processo de sobreviver ao coronavírus as classes médias escolarizadas já saíram 'na frente'. O sentimento, entretanto, de 'estar à mercê' - real, de modo algum imaginário ou ilegítimo - tem nos levado a berrar de maneira incansável.

Que bom. Ao contrário dos 'quase pretos de tão pobres' esse grito não cai tão facilmente no vazio.

É a estranha percepção de si mesmo como 'sujeito de direito', q só alguns no Brasil têm.

Pense no Haiti.

Wednesday, December 10, 2025

10 de dezembro de 2018


SESSÃO DA TARDE

Sempre que eu vejo o juiz Moro eu penso que ele poderia estrelar um filme de gângster chamado 'Os Intragáveis'. Ele seria o Idiot Néscio. Já o Ônix Lorenzoni, esse parece, mesmo, ele próprio, um gângster de filme. Eu acho até que eu já vi um ator que é a cara dele. Não sei se foi no 'Poop Fiction', ou no 'Al Cagone', do Rod Steiger. Terá sido no 'Anjos de Bunda Suja' com o James Cagney? Não tenho certeza. Pode ser naquele que tem o Dom Cocôrleone. Ou 'Porcos e Diamantes'. Mas tem também 'O Massacre de Chicago'... sei lá... alguma merda dessas...

P.S. Lembrei! Ele aparece em 'GoodFellas (da puta)', do Martin Scrotese.